Como "Nutrir" o Envelhecer

Nesse meu primeiro texto no site, pensei em abordar algo que preocupa a todos no planeta, o envelhecimento. Vivemos um conflito enorme atualmente de viver por mais tempo, porém com menor qualidade de vida. Um dos grandes problemas relacionados a isso é o desenvolvimento de doenças crônicas e sabemos que podemos ter um pulso forte se atuarmos com prevenção ativa e otimizarmos nosso organismo em busca de um envelhecimento mais saudável.

Como conceito, longevidade significa qualidade do longevo, ou seja, qualidade daquele que tem muita idade. Longevidade está sempre relacionada com expectativa de duração de vida. Expectativa essa formulada em função de um complexo de fatores influentes, tais como hereditários, climáticos, ambientais, alimentares, comportamentais e medicinais. As mulheres brasileiras têm expectativa de vida de 75 anos, e os homens, de 68 anos, segundo o relatório de Estatística Sanitária Mundial 2007, divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O Japão é o país com maior expectativa de vida do planeta, enquanto a Suazilândia, um reino africano, está no extremo oposto, segundo a OMS. Mas, de uma forma geral, o que temos observado é um crescimento global da população geriátrica com aumentos na expectativa de vida. O aumento da longevidade dos brasileiros se deve, principalmente, à queda de 64 por cento na mortalidade infantil entre 1980 e 2006. Segundo a pesquisa, as melhorias na condição de vida da população, que passou a ter mais acesso a serviços de saúde, saneamento, habitação e educação, também, contribuíram para o incremento na esperança de vida do brasileiro. Outro fator que tem contribuído, recentemente, para esse desenho populacional geriátrico, em países de terceiro mundo como o Brasil, é a progressiva redução nas taxas de fecundidade, assim como já ocorrido nos países desenvolvidos. A maior expectativa de vida das mulheres está relacionada, entre outras coisas, ao forte crescimento no número de homens jovens e adultos vítimas de homicídios.

Perante todos esses dados, lembro-me de uma célebre frase que aprendi com um de meus mais notáveis professores, o finado Dr. Zerbini: “O importante é acrescentar vida aos anos, e não anos à vida”. Acho que todos nós gostaríamos de viver muito, porém vivendo bem. Qualidade de vida é a grande questão dessa história. Questiona-se muito o que esse “boom” geriátrico trará na bagagem. A problemática decorrente do envelhecimento, no que diz respeito à saúde, tende a ser a mesma que se verifica nos países desenvolvidos com o aumento de doenças crônicas requerendo cuidados continuados e custosos, situação agravada pelo fato da persistência de problemas básicos como a desnutrição e doenças infecciosas. Até o momento, dispomos de pouca informação, de caráter oficial, a respeito do aumento demográfico dos idosos nas diferentes regiões do país e procurando traçar as perspectivas em termos de demanda de serviços, principalmente nas áreas da saúde e assistência social. Chegaremos, ao ano de 2025, com uma população de aproximadamente 34 milhões de pessoas acima de 60 anos, uma população maior do que a de qualquer estado brasileiro na atualidade. Essas pessoas hoje se encontram no apogeu de suas vidas produtivas, muitas em posição de decisão sobre os rumos políticos e econômicos da nação. Cabe a essa geração trabalhar para que se inicie um planejamento a curto, médio e longo prazo, visando ao estabelecimento de uma política de bem-estar social e de cuidados à saúde da população de idosos no Brasil.

Recomendações de saúde pública para a modificação de estilo de vida, incluindo dieta e atividade física, têm sido divulgadas, maciçamente, por veículos de comunicação, para a prevenção e tratamento das doenças. Essas condutas são destinadas para a população em geral e acredito que têm grande significado, porém não levam em consideração o indivíduo no que diz respeito aos genes e o ambiente em que ele habita.

Medicina funcional, integrativa e personalizada são termos que vêm sendo usados por grandes centros médicos universitários, americanos e europeus, e associações das quais faço parte por mais de uma década. Essa visão médica se refere a uma abordagem transdisciplinar da saúde (profissionais da saúde, como médicos e nutricionistas, trabalhando juntos e coesos em seus pensamentos, ideais e metas) na qual se avaliam métricas do estado de saúde desse indivíduo, buscando desequilíbrios e gatilhos que possam levar ao aparecimento de doenças, ​​para então desenvolver estratégias terapêuticas orientadas para a medicina de estilo de vida. Essa abordagem visa melhorar os resultados de saúde individuais tanto em prevenção como em gestão de doenças crônicas. Exemplos de aplicação de estilo de vida à medicina funcional e personalizada para o atendimento ao paciente incluem a identificação de variantes genéticas através de exames laboratoriais ou biomarcadores funcionais para a elaboração de prescrições específicas do paciente em dieta, otimização metabólica com nutrientes, exercício físico, atividades antiestresse e modulação de poluentes e contaminantes ambientais.

A medicina funcional e personalizada pode fornecer soluções para problemas crônicos de saúde mediante utilização de tecnologias inovadoras e em constante evolução, tomando como base descobertas recentes no campo da genômica, da epigenética, da teoria de sistemas biológicos, de ciências comportamentais e de exames diagnósticos. Uma abordagem abrangente e personalizada para a medicina é necessária para promover a segurança da terapêutica e reduzir o custo das doenças crônicas. Podemos e devemos fornecer um novo meio de abordagem à saúde do paciente, capacitando-o com as informações de que precisam para recuperar o controle de sua saúde. Essa é nossa visão e esse deve ser o nosso trabalho diário em busca de uma saúde melhor, mais completa, funcional e personalizada. Em busca de uma saúde mais funcional, desejo saúde a todos!

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