Ômega 3 versus Doenças Cardiovasculares


As doenças cardiovasculares são a principal causa de morbidade e mortalidade no Brasil e no mundo, sendo a doença coronária ou infarto do miocárdio a principal causa de morte. Os cinco fatores principais de risco para doença coronária são: hipertensão, dislipidemia, diabetes mellitus, tabagismo e obesidade, contando com 80% de todo o risco. As intervenções, farmacológicas e não farmacológicas, podem melhorar todos estes fatores de risco e diminuir a incidência de doenças cardiovasculares e as suas consequências.

Estudos dietéticos sugerem três estratégias para a promoção da saúde cardiovascular: a primeira delas é a substituição de gorduras saturadas e trans por gorduras insaturadas e poliinsaturadas não hidrogenadas. A segunda estratégia é aumentar o consumo de fontes alimentares ricas em ômega 3 (ω-3) , de fontes marinhas e plantas. O terceiro método é aumentar o consumo de frutas de baixo índice glicêmico e legumes, nozes e cereais integrais e reduzir produtos de grãos refinados. Estes três ​​componentes são os elementos essenciais da dieta mediterrânica moderna.

Numerosos estudos confirmam que a substituição de gordura saturada por poliinsaturados (PUFAs) pode diminuir o colesterol total (CT) e o LDL colesterol (LDL). As gorduras poliinsaturadas e gorduras monoinsaturadas podem aumentar os níveis de HDL colesterol (HDL) modestamente. Quando carboidratos são substituídos por gordura saturada, a redução nos níveis de LDL e HDL permanece constante e a razão CT : HDL não se altera. Quando a gordura saturada é substituída por gorduras monoinsaturadas e poliinsaturadas, diminui LDL e HDL permanece o mesma ou aumenta e melhora a relação (CT: HDL ou LDL: HDL). Além disso, a mudança para gorduras monoinsaturadas pode ajudar a controlar a sensibilidade à insulina e, assim sendo, melhorar o controle e prevenção de diabetes tipo 2.

As gordurans trans são encontradas na margarina, gordura vegetal, produtos assados ​​preparados comercialmente e alimentos fritos. Elas aumentam o LDL e diminuem o HDL, piorando a relação (CT : HDL ou LDL: HDL). Além disso, aumentam triglicérides (TG) e lipoproteína A (Lpa) promovendo disfunção endotelial. Os ácidos graxos (ω-3) têm demonstrado a diminuição da doença cardíaca coronária fatal em vários estudos populacionais. O mecanismo para essa redução foi elucidado através do Trial de um grupo italiano, o Gruppo Italiano per lo Estúdio della Sopravvivenza nell'Infarto Miocardico (GISSI) III Prevenzione trials.

O principal benefício foi a redução da morte súbita cardíaca. Estudos subsequentes mostraram aumento do limiar de desenvolvimento de arritmia ventricular letal. A quantidade dos componentes do ômega-3, ácido docosahexaenóico [DHA] e ácido eicosapentaenóico [EPA] necessária para o benefício foi de 850 mg por dia. Os dados mais recentes sugerem doses mais elevadas de ômega-3 para aumentar a estabilidade das placas, diminuir marcadores inflamatórios e diminuir células inflamatórias nas placas. No Japão, o ensaio JELIS, adicionou 1,9 g de EPA por dia na dieta de uma população que consome oito vezes mais ômega-3 que a população americana e reduziram significativamente a mortalidade global por doença cardíaca coronária. O julgamento JELIS implica que a nossa recomendação atual de 2 a 5 porções de peixe por semana pode não nos beneficiar suficientemente e a partir daí a suplementação torna-se necessária.

Em junho desse ano, o Dr. Dariush Mozaffarian, reitor da Escola Friedman e médico do Massachussets General Hospital assinou o Dietary Guidelines for Americans Commitee (DGAC) de 2015, documento assinado a cada cinco anos e de importância fundamental para os rumos da alimentação, dentro daquele país, na orientação do Dietary Guidelines for Americans que será concluído no final desse ano e serve como guia desde as cafeterias de escolas até as gôndolas dos supermercados americanos. Pela primeira vez, desde 1980, o DGAC não propôs a restrição total de gordura em seu relatório técnico. “Colocar limites à ingestão total de gordura não tem base na ciência e leva a todos os tipos de erros na decisão de indústria e dos consumidores” foi o que disse Mozzafarian. Ele ainda ressalta o mérito que deve ser dado ao conceito de “ Whole food plant based diet” que traz lindos retratos de reversão de doenças cardíacas nas publicações do Dr. Caldwell Esselstyn e do nutricionista Colin Campbell.

Fico muito honrado em estar ao lado dessas três feras citadas acima em uma das maiores campanhas de reversão de doenças crônicas ao redor do mundo, A True Health Coalition, como diretor nacional. O Indian Heart Study e o Lyon Heart Study também são evidências antigas dessa conduta e revelaram redução significativa na mortalidade por doença cardíaca, apesar de parâmetros lipídicos que não terem mudado drasticamente. Tudo isso sugere que pode haver mais magia nos efeitos benéficos de uma adequada terapia nutricional com bons alimentos e suplementos adequados do que apenas a gestão de lipídios com fármacos tradicionais.

Em resumo, uma abordagem prática para a redução do risco cardiovascular, talvez possa ser uma abordagem modificada da Dieta do Mediterrâneo. Isso incorpora substituição de gorduras saturadas e trans por gorduras mono e poliinsaturadas, aumentando o consumo de ômega-3 e consumo de componentes ricos em esteróis vegetais, fibras viscosas, nozes, legumes e frutas de baixo índice glicêmico. Saúde a todos, pois prevenção é o melhor tratamento!

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