Acne e suas particularidades na nutrição funcional

February 17, 2016

 

 A acne é uma doença de pele que acomete principalmente a fase da adolescência, mas também pode ser encontrada facilmente em indivíduos adultos e com reincidência quando não tratada corretamente. É uma doença que repercute de forma intensa na autoestima, levando a quadros mais complicados e graves em qualquer fase da vida.


As principais alterações que ocorrem na pele são desencadeadas por fatores hormonais. A acne pode variar desde poros obstruídos, que formam os comedões (conhecido popularmente como cravo), as pápulas e pústulas até nódulos e cistos, de acordo com cada grau de classificação. Ocorrem mais frequentemente no rosto, pescoço, tórax e costas, pois são áreas com maior número de glândulas sebáceas.


O aumento da secreção sebácea está associado à redução e obstrução da abertura do folículo pilosebáceo, dando origem aos comedões. Com a pele nestas condições ocorre um favorecimento da proliferação de microrganismos que provocam a inflamação, sendo o Propionibacterium Acnes (P.acnes) o agente infeccioso envolvido.


Existem no quadro da acne quatro disfunções locais que desencadeiam as lesões: a formação dos comedões devido ao excesso de queratina que obstruem a saída do folículo; aumento do sebo devido à ação dos hormônios andrógenos; a proliferação do P.acnes presente no folículo, que age sobre o sebo transformando-o em um agente irritante; e por fim a inflamação local, resultado da pressão do sebo acumulado que rompe a parede do folículo e da irritação produzida por seus elementos. A acne ainda apresenta lesões de acordo com seus graus, são eles: 


•    Grau I: presença de comedões, alguns oxidados, mas a pele não possui inflamação.
•    Grau II: comedões, pápulas e pústulas e uma pequena inflamação nas pústulas.
•    Grau III: comedões, pápulas e cistos, pústulas inflamadas e doloridas
•    Grau IV: comedões, lesões císticas e papulosas, pústulas muito inflamadas, presença de nódulos, excesso de sebo e muitas vezes com comprometimento sistêmico. 


O sebo é composto por: triglicérides, ésteres graxos, esqualeno, ésteres de colesterol, diglicerídeos, ácidos graxos livres e ceramidas.


Com o avanço dos estudos sobre a alimentação, fatores dietéticos têm sido apontados como responsáveis pelo aparecimento da acne. Pesquisas sugerem que dependendo do grau de sensibilidade alérgica ou excesso de carga tóxica  que um indivíduo esteja exposto, pode ser o gatilho para desencadear o problema. Isso se deve ao estimulo de processos inflamatórios.


Sabe-se que o leite de vaca e seus derivados possuem em sua composição proteínas com maior probabilidade a desencadear processos inflamatórios, porém deve-se estudar pontualmente cada caso dentro da individualidade bioquímica do paciente e nunca generalizar. Os hormônios são outro fator desencadeante da acne, sendo assim deve-se realizar uma análise da função hormonal e nutricional a fim de melhorar a nutrição desse individuo, modulando suas funções bioquímicas e hormonais.


Uma dieta balanceada está voltada em modular também a função intestinal, pois uma vez alterada essa função o intestino sofre com o acúmulo de toxinas, levando o indivíduo a um estado de hipersensibilidade imunológica crônica, diminuindo a absorção de vitaminas e minerais, aumentando a retenção hídrica e dificultando a drenagem linfática, devido resposta alérgica aumentada.


O excesso de leite de vaca e seus derivados, carboidratos refinados, dieta com alto índice glicêmico e ricas em gordura saturada somado à falta de antioxidantes estão relacionados com o aparecimento de acne em jovens e adultos. Estudos também apontam que o consumo excessivo de alimentos ricos em ômega-6, resulta em acne por serem precursores de inflamação celular, por esse motivo torna-se fundamental adequar o consumo de ômega-3 e ômega-6 na dieta.


Uma dieta balanceada para controle de acne precisa ter os nutrientes essenciais que irão ajudar no tratamento das lesões e controle da inflamação. O ômega-3 é um nutriente essencial, pois estudos mostram sua eficácia na diminuição da inflamação, a prevenção de hiperqueratinização dos folículos sebáceos e redução do risco de acne. O zinco inibe a 5 alfa redutase diminuindo o estimulo da produção de sebo pela glândula sebácea, consequentemente  a atividade microbiana.  A falta de ácido pantotênico torna o metabolismo dos ácidos graxos deficiente o que leva o óleo a depositar-se nas glândulas sebáceas e ductos dos folículos resultando na inflamação.


Os outros nutrientes essenciais para tratamento e controle da acne são: vitamina A, vitamina B6, selênio, ácidos graxos essenciais, enxofre, biotina, magnésio e cromo.


Como qualquer patologia estética, para tratar da acne é necessário um acompanhamento assíduo e rigoroso com equipe multidisciplinar. O nutricionista deve ter seu olhar atento às vias bioquímicas envolvidas no processo inflamatório e lembrar que cada caso é um caso individual em suas necessidades de nutrientes e rotas metabólicas e que o sucesso está na capacidade de análise do profissional.

 

 

 


 

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