Nutrição e fibromialgia


A síndrome da fibromialgia pode ser definida como uma síndrome dolorosa crônica, não inflamatória, de etiologia desconhecida, que se manifesta no sistema musculoesquelético, podendo apresentar rigidez muscular, alteração do sono (insônia, sonos leves), enxaqueca, transtorno de humor (ansiedade, depressão), intestino irritável (obstipação ou diarreia).

Por ser crônica, a síndrome acarreta impacto negativo importante na qualidade de vida dos pacientes. O tratamento farmacológico empregado nessa síndrome inclui antidepressivos, relaxantes musculares, analgésicos, entre outros. No entanto grande parte dos pacientes apresenta diversos efeitos colaterais por conta do uso prolongado dos medicamentos. Há, portanto, grande interesse, por parte dos pacientes, em abordagens alternativas e complementares ao tratamento farmacológico, entre elas está a dietética, que busca introduzir alimentos que sejam fontes de nutrientes e que possam contribuir para a melhora dos sintomas da síndrome.

O consumo de alimentos que sejam fontes de magnésio mostra-se importante, uma vez que esse mineral atua no relaxamento dos músculos. O mecanismo pode ser explicado pela atuação do magnésio na bomba cálcio/magnésio, o que contribui para o relaxamento. Cereais integrais, vegetais verde-escuros, nozes, damasco seco, gérmen de trigo, grãos de soja, carnes e leite são alimentos que contêm o mineral.

Além de ser um potente antioxidante, a vitamina C é relatada na literatura como cofator essencial em pelo menos oito diferentes reações enzimáticas, incluindo a síntese de norepinefrina e serotonina, ambas importantes na modulação da dor. O pimentão verde, a goiaba, a couve e a salsa são ótimas fontes de vitamina C. A função da escopoletina no organismo humano, um componente identificado no Noni, é a sua união à serotonina, cuja presença está associada com a diminuição da ansiedade e da depressão, além de ser o precursor da melatonina como regulador do sono.

Cerca de 30%-50% dos pacientes apresentam depressão com alteração do comportamento e irritabilidade. O inositol é um importante nutriente para o funcionamento adequado de serotonina e acetilcolina, neurotransmissores ligados à sensação de prazer. É encontrado em grãos e sementes oleaginosas, e, nos alimentos de origem animal, está na forma de mioinositol. Alimentos que são fontes de triptofano, como o chocolate amargo, também, podem auxiliar no combate à depressão e aos seus sintomas, uma vez que o aminoácido essencial é precursor de serotonina.

A riboflavina parece ter um papel efetivo na prevenção e tratamento da enxaqueca, pois atua como precursora das coenzimas flavina adenina dinucleotídeo e flavina mononucleotídeo, necessárias na cadeia de transporte de elétrons, aumentando a eficiência energética mitocondrial. A coenzima Q10 também é um nutriente importante no tratamento da fibromialgia, visto que atua em sinergismo com as vitaminas A e E, assim, melhorando o sistema imunológico.

O ômega-3, encontrado em peixes de água fria, atua como anti-inflamatório, o que é importante para a melhora do quadro sintomático da fibromialgia. Dessa forma, faz-se necessária uma alimentação equilibrada, rica em alimentos antioxidantes e anti-inflamatórios de forma a auxiliar no tratamento da fibromialgia.

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UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO”. Ômega 3 é alternativa anti-inflamatória e anti-oxidante. Disponível em: <http://www.unesp.br/proex/informativo/edicao06mar2002/materias/omega3.htm>. Acesso em: 16 fev. 2016.

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