Distúrbios hormonais na tensão pré-menstrual


A tensão pré-menstrual (TPM), também, denominada síndrome pré-menstrual, corresponde a um conjunto de sintomas físicos, emocionais e comportamentais, iniciando-se na semana anterior à menstruação e com término no início do fluxo menstrual. Esses sintomas ocorrem de uma a duas semanas antes do início da menstruação, durante a fase lútea, sendo suficientemente severos para interferir nas atividades habituais. Os sintomas podem ter de leve a moderada intensidade e entre eles estão sensação de turgência nos seios, cefaleia, distensão abdominal e mudanças no apetite, comportamento alimentar e humor.

Estudo realizado no Brasil, em ambulatório de ginecologia, avaliou a prevalência da TPM, que variou de 8% a 86%. Entre os sintomas relatados, 86% foram irritabilidade, 17%, cansaço, 62%, depressão e cefaleia (cada); 95% das mulheres apresentavam mais de um sintoma e 76%, associação de sintomas físicos e psíquicos.

O exato mecanismo da TPM ainda é desconhecido, todavia a atividade cíclica ovariana e os efeitos dos hormônios estradiol e progesterona sobre os neurotransmissores (serotonina e ácido gama-aminobutírico) apresentam-se como possíveis mecanismos que desencadeariam a síndrome. O diagnóstico é feito pela presença de sintomas físicos e/ou emocionais, em pelo menos cinco dias que antecedem à menstruação, e, também, por pelo menos dois a três ciclos consecutivos.

A abordagem terapêutica da TPM prioriza tratamento individualizado de acordo com os sintomas apresentados pela mulher, uma vez que podem variar. As intervenções podem ser cirúrgicas, medicamentosas e/ou não medicamentosas, essa última inclui mudanças no estilo de vida, prática de exercícios aeróbicos e modificações na dieta com o objetivo de minimizar os sintomas da síndrome.

A utilização do extrato etanólico seco de Vitex agnus-castus, arbusto originário da região mediterrânea, constituído por uma mistura de iridoides e flavonoides, demonstrou, a partir de estudos, ser eficaz no alívio dos sintomas da TPM. Apresenta mecanismo de ação possivelmente relacionado à modulação da secreção de prolactina via dopamina, sem afetar diretamente os níveis de hormônio folículo estimulante e hormônio luteinizante, assim, contribuindo para amenizar os sintomas como irritabilidade, ansiedade e cólicas.

O óleo de prímula, também, vem sendo estudado, uma vez que auxiliaria no alívio dos sintomas. Obtido a partir das sementes da planta da espécie Oenothera biennis, é rico em ácido linolênico e ácido gamalinolênico. Já a vitamina B6, ou piridoxina, por ser cofator na síntese dos neurotransmissores, dopamina e serotonina, pode atuar aliviando os sintomas pré-menstruais de alteração do humor. Em alimentos como vísceras, carne de aves, atum, leite, leguminosas, gérmen de trigo, cereais integrais, legumes, banana e aveia, a vitamina pode ser encontrada.

Já o óleo de borragem, extraído da planta Borago officinalis, por conter em sua composição o ácido gamalinolênico precursor da prostaglandina E, pode ajudar a equilibrar os hormônios femininos, consequentemente, diminuindo os impactos da TPM. Para tanto, recomenda-se que a mulher sempre busque orientação dos profissionais de saúde habilitados, como o ginecologista e nutricionista, que podem a auxiliar no tratamento mais adequado.

Referências

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