Doenças degenerativas

March 9, 2016

Estresse oxidativo nas doenças neurodegenerativas: o papel dos antioxidantes

 

 

As doenças degenerativas caracterizam-se por ser um grupo de doenças que leva a uma lesão tecidual gradual, irreversível e evolutiva, desencadeando limitações sobre as funções vitais. Entre elas, destacam-se as neurodegenerativas, nas quais ocorre destruição maciça de neurônios, de forma progressiva e irrecuperável, resultando em atrofia focal das regiões afetadas do cérebro, levando a problemas com o movimento, as ataxias, e funcionamento do sistema nervoso central, originando a demência.


As doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson, são mais comuns em adultos e idosos do que em jovens. Em 2010, em âmbito global, aproximadamente 35,6 milhões de pessoas possuíam demência, com estimativa de 65,7 e 115,4 milhões para 2030 e 2050, respectivamente.


Estudos apontam que o desequilíbrio da homeostase, ocasionando aumento da peroxidação lipídica, está estreitamente ligado às desordens neurodegenerativas, sendo a oxidação celular o primeiro processo que às antecede. E, uma vez que a ação dos radicais livres no desenvolvimento dessas doenças tem sido muito bem-descrita, pesquisas têm focado sua atenção na atenuação desse estresse por meio do consumo de antioxidantes e ácidos graxos poli-insaturados. 


No organismo, a vitamina C atua como cofator de enzimas, antioxidante, participa no metabolismo iônico de minerais e na elaboração de neurotransmissores. Já o tocoferol (vitamina E), principal antioxidante da membrana celular, impede a propagação da peroxidação lipídica. Os antioxidantes trabalham em sinergia, em que ocorre uma cooperação entre as vitaminas C e E. A vitamina E, ao prevenir a peroxidação lipídica, forma o composto tocoferoxil e, para ser regenerada, necessita dos elétrons doados pela vitamina C. 


O selênio, também, desempenha importante papel antioxidante, esse mineral é essencial na síntese da enzima glutationa peroxidase, além de potencializar a atividade antioxidante da vitamina E. Entre os ácidos graxos poli-insaturados, o ácido linolênico (ômega-3) vem sendo estudado por seus efeitos benéficos no sistema cerebral, entre os mais citados estão a participação na estrutura e nas funções da membrana celular, seu papel no estresse oxidativo, controle estrutural e funcional do tecido nervoso e ação anti-inflamatória. 


Em estudo de coorte Three-City, na França, com 4 anos de seguimento com 8.085 idosos saudáveis (≥ 65 anos), o consumo diário de frutas e legumes foi associado a uma diminuição do risco de demência (RR: 0,72; IC95%: 0,53-0,97) em modelos ajustados. O consumo semanal de peixe (fonte de ômega-3) foi associado com um risco reduzido de Alzheimer e demências (RR: 0,65; IC95%: 0,43-0,994). 


Contudo, ainda não há consenso claro que especifique a quantidade a ser consumida de antoxidantes, todavia é necessário que, ao longo da vida, sejam adotados hábitos saudáveis que incluam, além de uma alimentação equilibrada, a prática de exercícios físicos.

 

 

Referências


BARBERGER-GATEAU, P. et al. Dietary patterns and risk of dementia: the Three-City cohort study. Neurology., Minneapolis, v. 69, n. 20, p. 1921-1930, 2007.


BOURRE, J. M. Effects of nutrients (in food) on the structure and function of the nervous system: update on dietary requirements for brain. Part I: micronutrients. J. Nutr. Health Aging, Paris, v. 10, n. 5, p. 377-385, 2006.


CARDOSO, B. R. et al. Estresse oxidativo na Doença de Alzheimer: o papel das vitaminas C e E. Nutrire: rev. Soc. Bras. Alim. Nutr.= J. Brazilian Soc. Food Nutr., São Paulo, v. 34, n. 3, p. 249-259, 2009.


CHAUHAN, V.; CHAUHAN, A. Oxidative stress in Alzheimer’s disease. Pathophysiology, Amsterdam, v. 13, n. 3, p. 195-208, 2006.


COZZOLINO, S. M. F. Vitamina C. In: COZZOLINO, S. M. F. Biodisponibilidade de nutrientes. 2. ed. Barueri: Manole, 2007. p. 305-324.


COZZOLINO, S. M. F. Vitamina E. In: COZZOLINO, S. M. F. Biodisponibilidade de nutrientes. 2. ed. Barueri: Manole, 2007. p. 276-292.


KAYSER, C. G. R. et al. Benefícios da ingestão de ômega 3 e a prevenção de doenças crônico degenerativas - revisão sistemática. RBONE, São Paulo v. 4, n. 21, p. 137-146, 2010.


MAS, E. et al. Functional Vitamin E deficiency in ApoE4 patients with Alzheimer’s disease. Dement Geriatr. Cogn. Disord., Basel, v. 21, n. 3, p. 198-204, 2006.


PASCHOAL, Valéria et al. Suplementação funcional magistral: dos nutrientes aos compostos bioativos. São Paulo: Valeria Paschoal2008. 


ZHU, X. et al. Alzheimer disease, the two-hit hypothesis: an update. Biochim. Biophys. Acta, Amsterdam, v. 4, p. 494-502, 2007.

Tags:

Please reload

Featured Posts

Gastrite pode ser prevenida com mudança de hábitos

February 28, 2020

1/10
Please reload

Recent Posts
Please reload

© Copyright 2017. Equaliv

  • Facebook - White Circle
  • Instagram - White Circle