Ômega-3 como coadjuvante no tratamento da depressão

March 16, 2016

 

 

A depressão é uma condição de curso crônico, recorrente, classificada como um conjunto de transtornos, com duração, frequência e intensidade variadas, sendo frequentemente associada à diminuição da capacidade funcional, limitação de atividades habituais, além de maior utilização de serviços de saúde. A priori, pode ter influência de fatores genéticos, bioquímicos, psicológicos e sociofamiliares, por isso, sendo estudada sob diferentes abordagens. 


Mundialmente, é considerada uma das principais causas de incapacidade mental e estima-se que, até 2020, seja a segunda causa de incapacidade para a saúde em países desenvolvidos e a primeira em países em desenvolvimento. Todavia a depressão é frequentemente subdiagnosticada e subtratada, tanto que cerca de 30 a 60% dos casos não são detectados em serviços de cuidados primários.


Os sintomas mais comuns apresentados são distúrbios de sono e apetite, sentimento de tristeza profunda, falta de confiança, perda de interesse em atividades, dores de cabeça e fadiga. Diversas alternativas não medicamentosas têm sido utilizadas para auxiliar no tratamento da depressão. Entre elas, destaca-se a utilização de nutrientes que apresentam efeitos similares aos fármacos da classe dos anti-inflamatórios não esteroides, como os ácidos graxos ômega-3.


Os ácidos graxos poli-insaturados, grupo ao qual pertence o ômega-3, são vitais tanto para a formação quanto para o funcionamento adequado do sistema nervoso central, pois atuam na sinalização celular, regulação enzimática, síntese de eicosanoides, regulação da migração neuronal, determinação da plasticidade sináptica e modulação de citocinas que possuem atividade neuromodulatória e neurotransmissora.


A associação entre o consumo de ômega-3 e a presença de sintomas depressivos e ansiosos vem sendo investigada, nesse sentido, tem-se percebido que, em regiões que apresentam maior consumo de ômega-3, há menor prevalência de depressão. Na literatura, muitos mecanismos são apresentados para explicar a associação entre ômega-3 e desordens psíquicas, incluindo: alterações nas funções das membranas; estabilização do humor; arborização dendrítica, plasticidade sináptica e neurodesenvolvimento. 


Os ácidos docosa-hexaenoico (DHA) e eicosapentaenoico (EPA), componentes do ômega-3, atuam, respectivamente, melhorando a ligação dos neurotransmissores aos seus receptores e aumentando o suprimento de oxigênio e glicose para o cérebro, além de protegê-lo contra os radicais livres. De acordo com pesquisas, o consumo adequado de ômega-3 se faz necessário, uma vez que a deficiência de DHA está associada a disfunções na transmissão da serotonina, norepinefrina e dopamina, relacionadas com as manifestações cognitivas da depressão. Além disso, o consumo do poli-insaturado resulta na diminuição da síntese de citocinas pró-inflamatórias, portanto, redução da hiperalgesia e dos sintomas ansiosos e depressivos.


Tanto pelas suas ações diretas em estruturas cerebrais quanto pela sua característica anti-inflamatória, o consumo de alimentos fontes (sardinha, salmão, atum, semente de soja, óleo de canola e óleo de linhaça) e suplementação com ômega-3 podem vir a ser estratégias benéficas para melhorar sintomas depressivos.


Contudo é importante que o paciente seja encorajado, também, a realizar refeições balanceadas e saudáveis com os outros nutrientes a fim de obter melhor qualidade de vida, com o auxílio de um nutricionista. Além disso, é essencial o acompanhamento multidisciplinar, com psiquiatra, terapeuta, psicólogo, assim, objetivando um tratamento completo para que o paciente possa se recuperar.

 


Referências


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ZEMDEGS, J. C. S.; PIMENTEL, G. D.; PRIEL, M. R. Ácidos graxos ômega 3 e tratamento da esquizofrenia. Rev Psiq Clín., São Paulo, v. 37, n. 5, p. 223-227, 2010.

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