A influência de fatores emocionais sobre o trato gastrointestinal


Pesquisas têm demonstrado que alguns indivíduos, devido à dificuldade de representar mentalmente seus conflitos, expressam-nos com o corpo, por meio de sintomas psicossomáticos, como dor, tremor, náuseas e sudorese excessiva. Outrossim, é que situações de estresse, ansiedade e depressão podem influir no curso e na evolução de determinadas doenças, incluindo as do trato gastrointestinal (TGI).

A interação entre o cérebro e o TGI tem recebido grande atenção, pois a incidência de sintomas gastrintestinais relacionados ao nível de estresse emocional em que o indivíduo se encontra pode acarretar maior vulnerabilidade a doenças, uma vez que as defesas imunológicas ficam diminuídas. Um dos mecanismos propostos para tal relação se refere à alteração na imunidade intestinal, em particular, quanto à ativação de mastócitos, potencializando a ação de nervos sensoriais e percepção da dor visceral, podendo preceder ou exacerbar distúrbios do TGI.

Entre esses distúrbios, destaca-se a síndrome do intestino irritável (SII) sobre a qual estudos mostram que o desenvolvimento dos seus sintomas está fortemente relacionado ao estresse, à ansiedade e à depressão. Na SII o indivíduo apresenta hábitos intestinais alterados (diarreia e/ou constipação), dor abdominal intermitente, inchaço e flatulência. Situações de estresse emocional também podem contribuir para o desenvolvimento e agravamento dos sintomas da gastrite, uma vez que do sistema nervoso central parte o nervo vago, que chega ao estômago, desordens funcionais podem acarretar em produção excessiva de gastrina e ácido clorídrico, ocasionando inflamação da mucosa do estômago.

Outra condição clínica associada a transtornos psicológicos é a dispepsia funcional, caracterizada por um conjunto de sintomas relacionados ao TGI, como dor, queimação ou desconforto na região superior do abdômen, em que não há qualquer evidência de doença orgânica ou anormalidade estrutural do tubo digestivo. Em virtude dos achados, é de extrema importância um trabalho multidisciplinar com os pacientes de forma a abranger todos os aspectos clínicos apresentados. A adoção de hábitos que contribuam para o bem-estar físico e mental, como alimentação saudável, prática de atividade física, momentos de lazer e convívio social, mostra-se essencial para a saúde como um todo.

Referências

DDINE, L. C. et al. Fatores associados com a gastrite crônica em pacientes com presença ou ausência do Helicobacter pylori. ABCD Arq. Bras. Cir. Dig., Curitiba, v. 25, n. 2, p. 96-100, 2012.

GOUVEIA, E. C.; ÁVILA, L. A. Aspectos emocionais associados a disfunções gastroenterológicas. Psicol. Estud., Maringá, v. 15, n. 2, p. 265-273, 2010.

LEE, S. P. et al. The effect of emotional stress and depression on the prevalence of digestive diseases. J Neurogastroenterol Motil., Seoul, v. 21, n. 2, p. 273-282, 2015.

LIRA, C. A. B. et al. Efeitos do exercício físico sobre o trato gastrintestinal. Rev Bras Med Esporte, São Paulo, v. 14, n. 1, p. 64-67, 2008.

OHANA, J. A. L. Gastrites (dispepsias): sugestões de como abordar o tema com pacientes fazendo-os entender o problema e buscarem soluções. ABCD arq. Bras. Cir. Dig., São Paulo, v. 26, n. 4, p. 344, 2013.

RIBEIRO, L. M. et al. Influência da resposta individual ao estresse e das comorbidades psiquiátricas na síndrome do intestino irritável. Rev. Psiquiatr. Clín., São Paulo, v. 38, n. 2, p. 77-83, 2011.

TALLEY, N. J.; HOLTMANN, G.; WALKER, M. M. Therapeutic strategies for functional dyspepsia and irritable bowel syndrome based on pathophysiology. J Gastroenterol., Tokyo, v. 50, n. 6, p. 601-613, 2015.

WOUTERS, M. M.; BOECKXSTAENS, G. E. Is there a causal link between psychological disorders and functional gastrointestinal disorders? Expert Rev Gastroenterol Hepatol., London, v. 10, n. 1, p. 5-8, 2016.

Tags:

Featured Posts
Posts em breve
Fique ligado...
Recent Posts
Posts em breve
Fique ligado...

© Copyright 2017. Equaliv

  • Facebook - White Circle
  • Instagram - White Circle