Estratégia nutricional na prevenção da sarcopenia


A população de idosos vem crescendo no Brasil e no mundo, resultando em importante transição demográfica. Estima-se que, no Brasil, em até 2025, haja um aumento de mais de 33 milhões, assim, tornando o Brasil o sexto país com maior percentual populacional de idosos no mundo.

O envelhecimento está associado a diversas alterações físicas e biológicas, como o aumento na massa de gordura corporal e uma diminuição da massa corporal magra em decorrência da perda da massa muscular esquelética. Essa perda, relacionada à idade, é denominada de sarcopenia, ela pode ser decorrente de múltiplos fatores fisiológicos, comportamentais e ambientais, que inclui inatividade física, unidade motora remodelada, nivelação de hormônio diminuído e redução da síntese de proteína.

A definição de sarcopenia utilizada por European Working Group on Sarcopenia in Older People (EWGSOP) inclui três componentes: (1) baixo índice de massa muscular esquelética (≤8.90kg/m2 para homens e ≤6.37kg/m2 para mulheres); (2) força muscular diminuída, avaliada por handgrip (<30kg para homens e <20kg para mulheres) e (3) baixo desempenho físico, definido por velocidade de marcha <0.8 m/s.

No Brasil, ainda são escassos estudos com amostras representativas que forneçam taxas de prevalência da sarcopenia. Não obstante, em estudo realizado em São Paulo, com idosos (≥60 anos) participantes do estudo Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento (SABE), a prevalência da sarcopenia foi de 16,1% em mulheres e 14,4% nos homens. Em outros países, a prevalência varia de 13% a 24% em idosos com idade entre 65 e 70 anos, e mais de 50% em idosos acima de 80 anos.

Diversos mecanismos têm sido estudados, incluindo a perda de neurônios motores presentes na medula espinhal, deficiência da produção de andrógenos e estrógenos, redução da prática de atividade física e inadequada ingestão diária calórica e proteica, que resultam em desequilíbrio entre as taxas de síntese e degradação de proteína, assim, favorecendo a redução do conteúdo proteico muscular.

Desse modo, a prática de atividade física e o consumo adequado de aminoácidos essenciais são importantes estratégias na estimulação da síntese proteica muscular. Entre esses aminoácidos, destacam-se os de cadeia ramificada, leucina, isoleucina e valina, pois são os principais responsáveis na estimulação da síntese proteica.

O ômega-3 também vem ganhando notoriedade no campo científico, uma vez que atuaria estimulando a síntese de proteína muscular por aumentar a atividade de sinalização nas reações endógenas. Estudo randomizado, controlado, realizado nos Estados Unidos, com 16 idosos (≥ 65 anos) saudáveis, mostrou que, após 8 semanas de suplementação dietética diária de ômega-3 (1,86g de ácido eicosapentaenoico e 1,50g de ácido docosaexaenoico, houve aumentou significativo na taxa de síntese de proteínas do músculo, sendo potencialmente útil para o tratamento e prevenção da sarcopenia.

Ao considerar todos os aspectos mencionados, é de suma importância destacar que a nutrição exerce papel relevante na redução do risco da ocorrência e no tratamento da sarcopenia, uma vez que diversos nutrientes estão diretamente envolvidos na regulação do balanço proteico muscular.

Referências

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