Influência da resistência insulínica na síndrome metabólica


A síndrome metabólica (SM) é um transtorno complexo que inclui diversas alterações, como resistência à insulina, com ou sem diabetes melito do tipo II (DM2), hipertensão arterial, obesidade (principalmente central) e dislipidemia. Na população em geral, a prevalência de SM é de aproximadamente 24%, chegando a mais de 80% entre os indivíduos com DM2. A SM é um importante fator de risco de mortalidade precoce em indivíduos não diabéticos e em pacientes com DM2.

O diagnóstico da SM é realizado quando 3 dos seguintes 5 fatores de risco estão presentes: a circunferência da cintura ampliada (homem: >102cm e mulher: >88cm); triglicérides elevados (≥150mg/dL), HDL colesterol (homens: <40mg/dL e em mulher: <50mg/dL), pressão arterial elevada (≥130mmHg ou ≥85mmHg) e glicemia de jejum (≥110 mg/dL).

A predisposição genética, alimentação inadequada e inatividade física são importantes fatores de risco. A etiologia ainda não está totalmente clara, porém a resistência à insulina e a obesidade abdominal parecem ser essenciais para o seu desenvolvimento.

O termo resistência insulínica se refere a uma reduzida sensibilidade tecidual à ação da insulina, gerando importantes implicações metabólicas. Para compensar essa resistência e manter os níveis de glicemia dentro da normalidade, o pâncreas secreta quantidades cada vez maiores de insulina, resultando em hiperinsulinemia compensatória e desordens no organismo. Dentre as doenças associadas à resistência à insulina, destacam-se DM, esteatose hepática, câncer de pâncreas e disfunção mitocondrial.

A realização de um plano alimentar para a redução de peso concomitantemente à prática de exercício físico são consideradas terapias de primeira escolha para o tratamento dos pacientes. Pois, de acordo com estudos, essa associação leva a uma redução importante de circunferência abdominal e gordura visceral, contribuindo de maneira relevante na melhora da sensibilidade à insulina, diminuindo os níveis plasmáticos de glicose, por isso, sendo fator preventivo no aparecimento de diabetes tipo II.

Um plano nutricional individualizado elaborado por um nutricionista pode estimar uma redução de peso sustentável de 5% a 10% de peso corporal inicial. São estabelecidas as necessidades do indivíduo a partir da avaliação nutricional, incluindo a determinação do índice de massa corporal, circunferência abdominal e, quando possível, composição corporal.

Entre as recomendações dietéticas, salienta-se a importância do consumo de alimentos fontes de nutrientes que auxiliam na melhora da resistência à insulina. Indica-se o consumo de fibras (20g a 30g/dia) sob a forma de hortaliças, leguminosas, grãos integrais e frutas, e, também, farinha de casca de maracujá, que, por sua vez, apresenta alto teor de pectina e mucilagem, fibras solúveis que atuam no controle glicêmico.

Portanto, visto que parte dos fatores de risco à SM são modificáveis, faz-se necessário, ao longo da vida, a prática de hábitos que visem à manutenção da saúde como forma de prevenção.

Referências

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