Ácidos graxos e micronutrientes sobre a imunomodulação

June 7, 2016

 

 

 

A estreita relação entre imunidade e nutrição vem sendo estudada desde a década de 1970, quando começaram a ser realizadas pesquisas com testes imunológicos para avaliação do estado nutricional. Entre as desordens no sistema imunológico relacionadas à deficiência de nutrientes, destacam-se redução na função das células T e do timo, comprometimento da fagocitose e na produção de anticorpos, aumento do estresse oxidativo e ocorrência de processos infecciosos, em decorrência da diminuição da defesa antioxidante.

 

Atualmente, a população tem adotado estilos de vida que comprometem a saúde no que diz respeito à alimentação, em que a dieta tem sido caracterizada por um consumo elevado de alimentos ricos em açúcar, gorduras saturada e trans, sódio, aditivos químicos e pobre em alimentos in natura, como frutas, legumes e verduras, fontes de vitaminas, minerais e ácidos graxos essenciais, que desempenham papel importante sobre a função imunológica.

 

Tem sido demonstrado que a vitamina C contribui na ação protetora do sistema imunológico, isso porque reduz a gravidade das reações alérgicas e ajuda a combater infecções, pois estimula a proliferação de células T. Além disso, também, atua sinergicamente com outros micronutrientes, assim, melhorando a função de barreira da pele devido, principalmente, à função antioxidante.

 

O ácido graxo ômega-3 é precursor de dois importantes ácidos graxos de cadeia longa: o ácido eicosapentaenoico e o ácido docosahexaenoico, que participam da síntese de eicosanoides – que estão envolvidos diretamente no sistema imune e nas respostas inflamatórias. Ademais, o ômega-3, também, atua na inibição da proliferação de linfócitos, produção de anticorpos e citocinas, expressão de moléculas de adesão e ativação das células Natural Killers (NK).

 

A vitamina D interage com o sistema imune por meio do aumento da imunidade inata e da mucosa, isso devido à ação anti-inflamatória, estimulando a síntese de células T reguladoras, e inibição da produção de citocinas pró-inflamatórias. Outrossim, é que a vitamina auxilia na regulação e diferenciação das células de defesa, linfócitos, macrófagos e NK, além de contribuir na diminuição da produção de interleucina-2, interferon-gama e fator de necrose tumoral.

 

Há relação entre o zinco e as células do sistema imunológico, incluindo atividade de células T auxiliadoras, desenvolvimento de linfócitos T citotóxicos, hipersensibilidade retardada, proliferação de linfócitos T, produção de interleucina (IL)-2 e apoptose de células de linhagens mieloide e linfoide.

 

Os minerais, também, exercem importante ação regulatória sobre as funções imunológicas, em destaque o zinco e o cobre. No sistema imune, em razão da elevada atividade e proliferação das células, o zinco desempenha papel essencial nos processos de transcrição, tradução e replicação do DNA; e, com o cobre, eles participam como cofatores para a enzima superóxido dismutase, importante para a defesa antioxidante. O cobre, também, desempenha papel fundamental na maturação dos tecidos linfoides.

 

 

REFERÊNCIAS                                                                               

 

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