Estratégias preventivas do sistema imunológico


Em 1900, apenas um em cada 11 americanos viveu 65 anos ou mais. Na medida em que entramos no novo milênio, essa proporção aumentou para uma em sete pessoas, e em 2050, estimativas conservadoras sugerem que haverá 80 milhões de americanos com 65 anos ou mais. Em comparação com a população em geral, os americanos mais velhos são duas vezes mais propensos a visitar o médico e possuem três vezes mais probabilidade de serem hospitalizados. A infecção está entre os mais comuns distúrbios de saúde em americanos mais velhos e idosos e são 2-10 vezes maiores as probabilidades de morrerem de uma variedade de infecções do que os adultos jovens. Senescência imune, a diminuição das respostas imunitárias causadas por envelhecimento em si, contribui para este risco. Isso torna esse grupo interessante para analisarmos intervenções imunes e prevenção de doenças. Condições clínicas comuns em pessoas idosas incluem déficits físicos diversos como: anorexia induzida por medicamentos, má dentição, dietas restritivas, doenças gastrointestinais e doenças metabólicas (como o diabetes mellitus e a insuficiência renal). Todos esses afetam a ingestão nutricional e demanda metabólica. Além disso, questões culturais e psicossociais, como viver sozinho, luto, depressão situacional e crenças religiosas, podem reduzir a ingestão de nutriente. Desnutrição global (ingestão inadequada de proteínas e calorias) é o déficit nutricional mais comum na população idosa. Até 65% dos idosos admitidos em hospitais são subnutridos. A desnutrição em pacientes idosos hospitalizados está associada a resultados clínicos adversos e significativos. As deficiências de micronutrientes (vitaminas e minerais) também são comuns em idosos. Ingestão oral reduzida, o aumento da demanda metabólica e comorbidades, tais como gastrite atrófica, contribuem para o aumento do risco de deficiências de micronutrientes em indivíduos idosos. Por exemplo, a ingestão de zinco diminui ao longo da vida adulta e desce abaixo da ingestão diária recomendada de 0.2 mg / kg (12-15 mg / dia), na maioria dos adultos mais velhos. Embora os níveis de zinco no soro possam ser normais em idosos, os níveis celulares são muitas vezes reduzidos. Indícios clínicos de desnutrição em idosos incluem o seguinte: baixo peso corporal, perda de massa muscular, cabelo ralo ou queda, dermatite, queilite ou estomatite angular, má cicatrização de feridas e edema periférico. Já as mudanças relacionadas à idade têm sido pouco incluídas no contexto de resposta imune inata (por exemplo, ativação do complemento, fagocitose, morte intracelular), exceto por condições de comorbidade. Recentemente, contudo, tornou-se claro que há alterações significativas nas funções mais avançadas de células fagocíticas, que também atuam como apresentadoras de antígenos (isto é, macrófagos, células dendríticas, e outros tipos de células relacionadas), em particular no que diz respeito à interações célula-célula. Embora os resultados variem de estudo para estudo, a maioria dos dados disponíveis sugerem que macrófagos de adultos mais velhos produzem maiores quantidades de algumas citocinas (por exemplo, prostaglandina E2, IL-6, IL-10), criando um ambiente de citocinas consistente com inflamação crônica de baixa quantidade . Em contraste, a produção de citocinas após a ativação por estímulos específicos, está reduzida (por exemplo, IL-1). Além disso, macrófagos em indivíduos idosos não são equivalentes aos dos adultos mais jovens, frente à estimulação de respostas imunitárias adaptativas e, em algumas experiências, eles inibem a resposta imune adaptativa de linfócitos adultos jovens. Há também mudanças marcantes na imunidade adaptativa com a idade, algumas dos quais podem ser uma consequência das alterações na imunidade inata. Suplementos Multivitamínicos e Minerais Os suplementos multivitamínicos e minerais têm sido usados numa variedade de modelos de estudo. Todos estes estudos relatam aumento de alguns marcadores substitutos (por exemplo, as respostas de hipersensibilidade tardia e a produção de citocinas). Para o nosso conhecimento, existem apenas dois estudos de intervenção que têm demonstrado benefício para a prevenção de eventos clínicos em pacientes idosos, um dos quais envolvendo pacientes ambulatoriais e o outro envolvendo residentes de instituições. O estudo feito na comunidade proporcionou um suplemento básico de retinol, β-caroteno, tiamina, riboflavina, niacina, piridoxina, ácido fólico, ferro, zinco, cobre, selênio, iodo, cálcio, magnésio e vitaminas B 12, C, D, e E para adultos saudáveis na comunidade. O projeto teve 12 meses de duração, foi duplo-cego, randomizado, controlado por placebo, e todos os indivíduos receberam suplementos, independentemente do estado nutricional inicial. Durante esse ano de estudo, houve menos deficiência global vitamina, um aumento na percentagem de células T CD4, atividade de células assassinas naturais (natural Killers) frente a respostas mitogênicas, e maior expressão do receptor de IL-2 no grupo que recebeu o suplemento. Mais importante ainda, as doenças infecciosas foram reduzidos de uma média de 48 no grupo de placebo para 23 no grupo que recebeu o suplemento (P = 0,002), e a utilização de antibióticos foi reduzido de uma média de 32 para 18 dias (P = 0,004). Suplementação Mineral O estudo dos idosos institucionalizados que demonstraram melhoras clínicas sugeriu minerais, ao invés de vitaminas, como fator nutricional chave para prevenir a infecção em idosos. O zinco (20 mg de Zn ++ elementar) mais selênio (100 mcg) administrado diariamente, independentemente de se eles foram administradas com ou sem vitaminas, diminuiu as taxas de infecção no estudo de maneira significativa. A média do número de infecções (respiratórias e urinárias) foi reduzida no grupo de indivíduos que tomou oligoelementos, em comparação com aqueles que tomaram placebo ou vitaminas sozinho. Outros estudos sobre a suplementação de zinco em idosos empregaram várias formas e dosagens de zinco e demonstraram melhor número de linfócitos e melhor função das células assassinas naturais (NK), mas nenhum benefício que melhorasse a resposta imune humoral. Embora a maioria das hipóteses têm centrado em oligoelementos como impulsionadores da resposta imune do hospedeiro como o mecanismo benéfico, dados recentes sobre a virulência viral levantam uma hipótese alternativa fascinante. Os dados em ratos deficientes em selênio infectados com Coxsackie ou vírus influenza demonstraram que a replicação viral dentro de hospedeiros nutricionalmente deficientes pode conduzir a mutações no vírus que alteram a sua virulência, aumentando a severidade da doença, mesmo em hospedeiros bem nutridos. A vitamina E, uma vitamina antioxidante que tem sido extensivamente investigada como uma medida preventiva para muitas condições humanas, incluindo doenças cardíacas e câncer, também estimula respostas imunes em pacientes idosos. Não está claro como a vitamina E aumenta a resposta imune, mas parece que pode fazê-lo alterando a geração de citocinas a partir de células T ou macrófagos. Embora os dados relativos às doses de vitamina E <200 mg / dia sejam inconsistentes, a suplementação diária de 200 mg/dia à 800 mg/dia de vitamina E em idosos saudáveis melhora respostas de hipersensibilidade tardia, bem como aumenta resposta de imunização em hepatite B (um antígeno dependente de células T). Nestes estudos, não parecia haver nenhum maior benefício de uma dosagem de 800 mg/dia quando comparado com 200 mg/dia. A intervenção nutricional para a prevenção da infecção do trato urinário (ITU) em indivíduos idosos é outro tópico importante e que pode ser útil e de baixo custo. O consumo de suco de cranberry ou de seu extrato no formato de cápsulas foi estudado em idosos institucionalizados e a ITU sintomática foi reduzida de forma significativa (P = 0,01). A terapia nutricional, enteral ou parenteral, tem sido utilizada em um grande número de estudos para muitas doenças graves, mas poucos têm focado os estudos especificamente em doentes idosos com doenças infecciosas. Vários investigadores examinaram a vitamina C (ácido ascórbico), como terapia adjuvante para infecções do trato respiratório. A suplementação aumentou rapidamente os níveis plasmáticos e celular de vitamina C e pode ter melhorado ligeiramente o estado funcional, especialmente nos indivíduos com doença grave no momento da admissão. A suplementação com zinco tem sido sugerida para indivíduos idosos para promover a cicatrização de feridas, em especial para as úlceras de estase venosa. Microbiota Os dados preliminares sugerem que as mudanças na composição da microbiota podem contribuir para as variações nos domínios biológico, clínico, funcional e psicossocial que ocorrem nos indivíduos idosos frágeis (Frailty Syndrome). Ferramentas de avaliação multidimensional, com base em uma Avaliação Geriátrica Global (CGA), demonstraram-se úteis para identificar e medir a gravidade da fragilidade em idosos. Assim, uma abordagem global deve ser usada mais amplamente na prática clínica para avaliar os efeitos multidimensionais potencialmente relacionadas com a composição da microbiota GI dos indivíduos mais velhos. Os probióticos têm se mostrado eficazes em restaurar as mudanças na microbiota de indivíduos mais velhos, promovendo diferentes aspectos da saúde em pessoas idosas como a melhoria da função imunológica e redução da inflamação crônica de baixo grau. Se a modulação da composição da microbiota, com intervenções multialvo, poderia ter um efeito sobre a prevenção da fragilidade ou não, isso continua a ser investigado na perspectiva de melhorar o estado de saúde frágil nos indivíduos mais velhos e de 'alto risco'.

Considerações finais A população idosa está em risco especial para a desnutrição, o que pode levar a um aumento do risco de infecção. Causas reversíveis de desnutrição, como depressão, problemas dentários e anorexia induzida por medicamentos, são comuns em indivíduos idosos, no entanto, são ignoradas e tratadas de forma inadequada. Dada a diversidade de dados e a falta de estudos, recomendações específicas são problemáticas neste momento. No entanto, a maioria dos dados sugere que um suplemento multivitamínico e/ou mineral, tomado diariamente, é benéfico para a prevenção da infecção e pode reduzir o uso de antibióticos em adultos idosos. O suplemento fornecido deve incluir zinco (ao redor de 20 mg/dia de zinco elementar ou o seu equivalente) e selênio (100 mcg/dia), com adicional de vitamina E, para atingir uma dosagem diária de 200 mg/dia, segundo os estudos. Micronutrientes específicos (por exemplo, a vitamina B12) devem ser fornecidos para pacientes com deficiências documentadas, mas os dados sobre a eficácia protetora especificamente relacionadas com a infecção estão faltando. Alguns adultos idosos selecionados podem também se beneficiar de estratégias nutricionais como beber suco de cranberry ou receber cápsulas de seu extrato. Esta estratégia pode ser particularmente benéfica nas instituições e residenciais como um meio de reduzir o uso desnecessário de antibióticos em idosos. Suplementos nutricionais comercialmente disponíveis podem também ser benéficos em idosos convalescentes de doenças infecciosas graves. O uso racional de pré e probióticos também é de relevante nessa população.

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