Nutrição e Síndrome de Down


A Síndrome de Down (SD) é caracterizada pela presença e expressão de três cópias de genes localizadas na banda cromossômica 21q22, que constitui em uma das causas mais frequentes de retardo mental moderado, afetando um a cada 800 recém-nascidos em todo o mundo. A SD apresenta-se por disfunção cognitiva, desordens cardíacas e gastrointestinais. Pacientes com SD, também, apresentam diversas alterações no sistema imunológico, que os predispõem a uma maior frequência de infecções e ao desenvolvimento de doenças autoimunes, com destaque para a doença celíaca, que, se não tratada, pode levar a comprometimentos sérios à saúde. O tratamento feito com uma dieta isenta de glúten promove a recuperação clínica da mucosa duodenal, todavia, caso a dieta seja interrompida, os sintomas da doença tendem a retornar. Na SD, a absorção de nutrientes, muitas vezes, é comprometida por desordens associadas, como intolerância alimentar, DC, elevando o risco de apresentar deficiência de vitaminas e minerais. Os pacientes comumente apresentam deficiência de zinco, levando a alterações no sistema antioxidante, imunológico e no metabolismo dos hormônios da tireoide. O mineral atua como cofator da deiodinase tipo II, enzima responsável pela conversão de tiroxina em tri-iodotironina, logo, essa reação encontra-se reduzida em indivíduos portadores da síndrome, o que contribui para a manifestação de distúrbios, como o hipotireoidismo subclínico. Outrossim, as alterações na compartimentalização favorecem o aumento da expressão da enzima cobre/zinco (Cu/Zn) superóxido dismutase, promovendo estresse oxidativo. Por sua vez, a suplementação do mineral tem mostrado eficácia na melhora dos hormônios tireoidianos e da função imune, na SD. Ainda com relação às desordens clínicas, é predominante a tendência à obesidade nesses indivíduos, com início precoce do desenvolvimento da doença, acentuando-se na adolescência e idade adulta, quando há maior dificuldade de manutenção e perda de peso adequado. Sugere-se que uma das causas da doença seja devido à taxa metabólica reduzida resultante do hipotireoidismo, muito frequente na SD, juntamente ao maior consumo alimentar e baixo nível de atividade física. Desse modo, ressalta-se a importância quanto ao adequado plano alimentar de forma a favorecer o equilíbrio nutricional, com ingestão de alimentos fontes de vitaminas, minerais e fibras, bem como a prática de atividade física, pois se constituem em fatores preventivos da obesidade e de outros distúrbios metabólicos que venham a acometer esse grupo. Ademais, o acompanhamento com equipe interdisciplinar é essencial na SD, em que caso haja alguma morbidade associada, como a DC, os profissionais da saúde, como o nutricionista, podem auxiliar no tratamento da doença. Referência BOSIA, A. P.; ZANOTTI, J. Perfil nutricional de portadores de Sindrome de Down: revisão bibliográfica. III Faculdade da Serra Gaúcha. Caxias do Sul, Rio Grande do Sul: Congresso de Pesquisa e Extensão da FSG, 2015. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Diretrizes de atenção à pessoa com Síndrome de Down. Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Brasília: Ministério da Saúde, 2012. LUIZ, F. M. R. et al. A inclusão da criança com Síndrome de Down na rede regular de ensino: desafios e possibilidades. Rev. Bras. Educ. Espec., Marília, v. 14, n. 3, p. 497-508, 2008. MACKEY, J. et al. Frequency of celiac disease in individuals with Down syndrome in the United States. Clin Pediatr (Phila)., Philadelphia, v. 40, n. 5, p. 249-252, 2001. MARÍN, A. S.; GRAUPERA, J. M. X. Estado nutricional de personas discapacitadas intelectuales con síndrome de Down. Nutr. Hosp., Madrid, v. 26, n. 5, p. 1059-1066, 2011. MARQUES, R. C.; MARREIRO, D. N. Aspectos metabólicos e funcionais do zinco na Síndrome de Down. Rev. Nutr., Campinas, v. 19, n. 4, p. 501-510, 2006. MAZUREK, D.; WYKA, J. Down syndrome genetic and nutritional aspects of accompanying disorders. Rocz Panstw Zakl Hig., Warszawa, v. 66, n. 3, p. 189-194, 2015. NISIHARA, R. M. et al. Doença celíaca em crianças e adolescentes com síndrome de Down. J. Pediatr. (Rio J.), Porto Alegre, v. 81, n. 5, p. 379-376, 2005. SDEPANIAN, V. L.; MORAIS, M. B.; FAGUNDES-NETO, U. Doença celíaca: avaliação da obediência à dieta isenta de glúten e do conhecimento da doença pelos pacientes cadastrados na Associação dos Celíacos do Brasil (ACELBRA). Arq. Gastroenterol., São Paulo, v. 38, n. 4, p. 232-239, 2001.

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