Diabetes e Alzheimer: qual a relação?


A transição demográfica da população brasileira está ocorrendo de modo acelerado, entre 1960 e 2050, o Brasil passará da décima sexta para a sexta posição mundial em número absoluto de indivíduos com 60 anos ou mais. Dessa forma, é esperado que as doenças crônicas sejam mais prevalentes, com destaque para as de grande impacto na área da saúde pública, como o diabetes melito (DM) e as doenças caracterizadas por disfunções cognitivas, que inclui o Alzheimer (DA). Em virtude do padrão alimentar atual e dos hábitos de vida adotados, como o sedentarismo, a prevalência de DM continua a aumentar em todo o mundo, afetando mais de 240 milhões de pessoas. Por sua vez, a DA, causa de demência mais comum, corresponde a um total de 24 milhões de pessoas no mundo, sendo a maioria de gente idosa. No que concerne às associações, tem sido evidenciado que diabéticos apresentam risco aumentado para o desenvolvimento de disfunções cognitivas, bem como DA. Sabe-se que disfunções cognitivas podem ser advindas de comprometimento vascular, formação e agregação de placas de neurofibrilas e alterações no metabolismo glicídico. Ademais, DM e AD apresentam semelhanças em diversas alterações metabólicas: metabolismo desordenado da glicose, sinalização anormal do receptor de insulina e resistência insulínica, estresse oxidativo, estimulação da via apoptótica, angiopatia, aumento da peroxidação lipídica e da fosforilação da proteína tau, alterações estruturais em proteínas e acúmulo deletério de beta-amiloide no cérebro. Dessa forma, tem sido sugerido que a resistência à insulina presente no DM II, por levar as vias metabólicas ao acúmulo de beta-amiloides, proteínas que, em níveis elevados, causam alterações nas sinapses, é um dos principais predispositores ao desenvolvimento do Alzheimer no portador de diabetes. Outrossim, o dano microvascular na polineurite diabética poderia levar a alterações do sistema nervoso central que ocorrem na DA. Além disso, um estado de estresse oxidativo sistêmico nos indivíduos diabéticos poderia estar ligado ao Alzheimer. A patogênese de ambas as doenças compartilham fatores fisiopatológicos e histopatológicos que podem causar diminuição da cognição e demência. Tanto a hiperglicemia quanto a hipoglicemia contribuem para as disfunções de habilidades e funções cognitivas. Em suma, é necessária uma compreensão mais profunda das interações entre os processos patogênicos de ambas as enfermidades, dessa forma, objetivando investigar novas estratégias terapêuticas preventivas e de tratamento. REFERÊNCIAS ADEGHATE, E.; DONÁTH, T.; ADEM, A. Alzheimer disease and diabetes mellitus: do they have anything in common? Curr Alzheimer Res., Saif Zone, v. 10, n. 6, p. 609-617, 2013. DOMÍNGUEZ, R. O. et al. Alzheimer disease and cognitive impairment associated with diabetes mellitus type 2: associations and a hypothesis. Neurologia, Barcelona, v. 29, n. 9, p. 567-572, 2014. MITTAL, K.; KATARE, D. P. Shared links between type 2 diabetes mellitus and Alzheimer's disease: A review. Diabetes Metab Syndr., Amsterdam, v. 15, 2016. RASOOL, M. et al. Current view from Alzheimer disease to type 2 diabetes mellitus. CNS Neurol Disord Drug Targets, Saif Zone, v. 13, n. 3, p. 533-542, 2014. MARSZAŁEK, M. Diabetes type 2 and Alzheimer disease - one or two diseases? Mechanisms of association. Postepy Hig Med Dosw, Warsaw, v. 23, n. 67, p. 653-671, 2013.

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