O impacto da deficiência de zinco no risco à obesidade


A obesidade, doença crônica não transmissível, caracteriza-se pelo acúmulo em excesso de tecido adiposo marrom no organismo, atualmente é considerada um grave problema de saúde pública tanto nos países em desenvolvimento quanto nos desenvolvidos, denotando epidemia mundial. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, esse agravo nutricional atinge cerca de 10% da população adulta. A doença, além de seus prejuízos à qualidade de vida, aumenta o risco para o desenvolvimento de diversas morbidades associadas, como hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, diabetes e síndrome metabólica. Apesar de existirem múltiplos fatores causais ao desenvolvimento e à progressão da obesidade, recentes estudos sugerem que as deficiências de micronutrientes podem contribuir para a deposição de gordura e inflamação crônica. Concentração reduzida de zinco tem sido associada ao aumento do risco de desenvolvimento de obesidade, bem como inflamação crônica. Há evidências de uma inter-relação do mineral com a concentração de leptina, hormônio relacionado à saciedade, isso porque, em indivíduos com níveis inadequados de zinco, a concentração de leptina é reduzida, logo, há menor regulação do controle da saciedade, que, por sua vez, pode levar ao aumento do consumo calórico e, consequentemente, ao excesso de peso e à obesidade. Ademais, a deficiência de zinco em indivíduos obesos tem mostrado contribuir na resistência insulínica. Uma vez que o mineral exerce importante função estimulante sobre o receptor de insulina tirosina quinase, que, por meio do estímulo pós-receptor, auxilia no aumento da atividade de translocação dos transportadores de glicose dos seus sítios intracelulares para a membrana plasmática. Adicionalmente a isso, a expressão da adipocitocina zinco-α e a glicoproteína (ZAG), envolvidas na estimulação da lipólise em adipócitos, é reduzida na obesidade e também tem sido relacionada com maior resistência à insulina, podendo ser fator de risco para diabetes tipo 2. Em contraponto, a suplementação de zinco parece contribuir no aumento da produção de interleucina 2 e fator de necrose tumoral-TNFα, sendo estes relacionados ao aumento da produção de leptina, peptídeo que desempenha importante papel na regulação da ingestão alimentar e no gasto energético. Contudo é válido ressaltar a importância de mais estudos que possam explorar a causalidade dessas relações, de modo a esclarecer os mecanismos entre a deficiência de micronutrientes e obesidade, desse modo, objetivando intervenções eficientes na prevenção e no tratamento da doença. REFERÊNCIAS GARCÍA, O. P. et al. Zinc, iron and vitamins A, C and e are associated with obesity, inflammation, lipid profile and insulin resistance in Mexican school-aged children. Nutrients., Basel, v. 5, n. 12, p. 5012-5030, 2013. GARCÍA, O. P.; LONG, K.Z.; ROSADO, J. L. Impact of micronutrient deficiencies on obesity. Nutr Rev., Washington, v. 67, n. 10, p. 559-572, 2009. GARRIDO-SÁNCHEZ, L. et al. Zinc-alpha 2-glycoprotein gene expression in adipose tissue is related with insulin resistance and lipolytic genes in morbidly obese patients. PLoS One., San Francisco, v. 7, n. 3, p. 1-19, 2012. JAYAWARDENA, R. et al. Effects of zinc supplementation on diabetes mellitus: a systematic review and meta-analysis. Diabetol Metab Syndr., London, v. 4, n. 13, p. 1-23, 2012. LEÃO, A. L. M.; SANTOS, L. C. Consumo de micronutrientes e excesso de peso: existe relação? Rev Bras Epidemiol., São Paulo, v. 15, n. 1, p. 85-95, 2012. MARREIRO, D. N.; FISBERG, M.; COZZOLINO, S. M. Zinc nutritional status in obese children and adolescents. Biol Trace Elem Res., London, v. 86, n. 2, p. 107-122, 2002.

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