Edulcorantes artificiais x naturais: qual o impacto na saúde?

September 27, 2016

 

 

As doenças crônicas constituem problema de saúde pública em todo o mundo, correspondendo a 72% das causas de mortes. Com isso, aumentou a preocupação com os aspectos relacionados à saúde, incluindo a manutenção do peso corporal e os níveis adequados de glicose plasmática. Tal processo levou a indústria alimentícia a formular e descobrir opções de adoçantes que oferecessem ao consumidor um sabor doce, mas sem calorias ou com o teor reduzido, assim, surgiram os edulcorantes.

Os edulcorantes são substâncias diferentes dos açúcares, mas que também conferem sabor doce aos alimentos. Essas substâncias são divididas em dois grupos, os edulcorantes naturais (mono e oligossacarídeos, sacarose, lactitol, açúcar invertido, xilitol, esteviosídeo) e os sintéticos (acessulfame-k, aspartame, ciclamatos e sacarina).

O primeiro adoçante artificial, a sacarina, foi bem-aceito durante a Primeira Guerra Mundial por causa de seu baixo custo de produção e da escassez do açúcar refinado. Em estudos com animais, a ingestão do edulcorante mostrou associação com o desenvolvimento de câncer, principalmente, o de bexiga.

O ciclamato de sódio é um sal de ácido ciclo-hexilsulfâmico e, apesar de possuir sabor doce 30 vezes maior do que a sacarose, apresenta gosto residual amargo. O edulcorante mostra uma toxicidade muito baixa, mas é metabolizado pelas bactérias intestinais em ciclo-hexilamina, que apresentam maior toxicidade.

Descoberto em 1965, acidentalmente, pelo químico James Schlatter, o aspartame é usado para adoçar uma variedade de alimentos de baixas calorias. Em pesquisa realizada com linhagens de camundongos, observou-se associação com o aumento de câncer nos animais de ambos os sexos.

Por sua vez, o xilitol, adoçante natural formulado a partir de plantas, possui o gosto similar ao do açúcar, porém com baixo valor calórico. Ainda é facilmente metabolizado no organismo, independente da ação insulínica. Além disso, possui alegação de propriedade funcional, aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, de ser um ácido que não danifica os dentes, uma vez que não é fermentado, assim, não pode ser convertido em ácido pelas bactérias da boca.

O adoçante formulado à base da estévia (Stevia rebaudiana) contém os compostos doces da planta denominados de glicosídeo de esteviol, que são 10-15 vezes mais doces que a sacarose e isentos de caloria. E, ao contrário dos adoçantes artificiais, esses glicosídeos não sofrem interferência do calor, por isso, podem ser utilizados em preparações quentes. Com relação à saúde, tem sido evidenciado que o seu consumo adequado pode reduzir a pressão sanguínea elevada, além de melhorar o estado nutricional de pacientes diabéticos.
    
Em suma, há uma discussão muito grande a respeito do consumo dos edulcorantes e seus efeitos à saúde, por isso, são necessários mais estudos, desse modo, objetivando maiores esclarecimentos sobre o tema.


Referências

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