Corantes: aditivos prejudiciais ao TDHA

January 15, 2016

 

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDHA) geralmente, surge antes dos sete anos de idade, sendo mais prevalente em meninos. Estima-se que cerca de 70% das crianças hiperativas continuem com os sintomas na adolescência, e 65% dos adolescentes conservem o problema até a vida adulta. As causas do distúrbio ainda não são conhecidas, porém estudos sugerem uma suscetibilidade genética associada a fatores ambientais, cujo tratamento requer uma abordagem multidisciplinar que envolva tratamento farmacológico com terapia comportamental e, ainda, o acompanhamento nutricional.

 

Estudos avaliando uma dieta de exclusão em crianças hiperativas demonstraram melhora no comportamento dessas, podendo relacionar o aumento no consumo de alimentos industrializados, ricos em aditivos alimentares, com alteração no comportamento infantil. Entre os aditivos utilizados em larga escala, pode-se assinalar o papel dos corantes, utilizados para realçar a coloração dos alimentos, responsáveis por reações alérgicas, asma, urticária e até casos de câncer observados em longo prazo. Por sua vez, dos corantes responsáveis por alterar o comportamento infantil, destacam-se: tartrazina, amaranto, vermelho-, eritrosina e caramelo amoniacal.

 

A avaliação do consumo de corantes alimentares e aditivos, de uma forma geral, é feita pelo controle da ingestão diária aceitável (IDA). Nesse sentido, estudos avaliando o consumo alimentar de crianças verificaram que a introdução de alimentos industrializados ocorre de maneira precoce, assim, crianças de 4 a 12 meses já recebiam alimentos como queijo tipo , refrigerantes e pirulitos.

 

Outros estudos avaliaram a quantidade de corantes em alimentos, com isso, pôde-se constatar que há produtos com quantidades superiores de corantes ao permitido na legislação brasileira. Desse modo, avaliou-se que a IDA de crianças é facilmente excedida com o consumo de um ou mais produtos industrializados ao dia, sendo este o público mais atingido pelos efeitos adversos de tais aditivos, pois, devido à imaturidade fisiológica, pode ter prejudicada a excreção desses compostos e apresentar dificuldade na capacidade de controlar a ingestão dos alimentos com aditivos.

 

Uma opção atual para combater esse problema é a utilização dos corantes naturais, que também podem trazer propriedades funcionais. Porém essa introdução ainda é considerada um desafio, pois são menos instáveis e não atendem todas as colorações disponíveis. A participação do nutricionista na equipe multidisciplinar é de extrema importância para correção de hábitos alimentares prejudiciais, além do importante papel como educador, alertando a população leiga, como pais e professores, sobre os prejuízos causados pelo consumo excessivo de alimentos industrializados por crianças ̶ portadoras ou não do transtorno de de atenção e hiperatividade.

 

Referências

 

ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PSIQUIATRIA. . 4. Ed. Porto Alegre: Artemed, 2002.

 

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pdf/tdah_uma_conversa_com_educadores.pdf> Acesso em: 10 de outubro de 2013.

 

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