Hipertensão e Ativos Naturais

 

 

As edições de Outubro, Novembro e Dezembro de 2013 do renomado “Journal of Clinical Hypertension”, uma conservadora e tradicional revista médica, incluíram uma seção com um importante artigo de revisão sobre um tema que a ciência pode não ter levado a sério até há pouco tempo. O tema abordado foi a substituição de clássicos medicamentos anti-hipertensivos por uma nutrição adequada e suplementos nutracêuticos.

 

O autor do artigo, Dr. Mark Houston, que é presidente fundador de uma Associação Internacional de Cardiologia Metabólica, Funcional e Integrativa, da qual faço parte, me disse que a repercussão do artigo, desde então, tem sido altamente positiva. "Os olhos das pessoas foram abertos", disse ele. “Houve surpresa com o quanto de ciência existe na literatura para o uso de tais estratégias, além da quantidade de pacientes com hipertensão que estão clamando para saber mais sobre formas de evitar ou reduzir a polifarmácia oferecida tradicionalmente”, ele acrescentou.

 

É bom lembrar que o Dr. Houston é certificado como um especialista em hipertensão pela Sociedade Americana de Hipertensão, além de certificado em Medicina Interna pelo American Board of Internal Medicine. Também é professor associado na Faculdade de Medicina da Universidade de Vanderbilt, Diretor do Instituto de Hipertensão e Biologia Vascular e professor associado do Institute of Functional Medicine (IFM), entre outros. 

Ao redor do mundo, como praticantes da medicina funcional e conscientes do aumento de doenças crônicas complexas, como diabetes, doença cardíaca, hipertensão, câncer, doença mental degenerativa, distúrbios autoimunes, entre outras, temos, assim como Dr. Houston, nos concentrado mais em identificar as causas subjacentes da doença e procurar por interações entre fatores genéticos, ambientais e fatores de estilo de vida. Buscamos promover a saúde através da integração de práticas convencionais com a prevenção, através de combinações de drogas e/ou medicamentos botânicos, suplementos, dietas terapêuticas, exercício e gestão do estresse.

 

Os números mais recentes do “National Health and Nutrition Examination Survey” evidenciaram que a taxa de controle da hipertensão arterial dos adultos americanos, embora tenha aumentado, ainda pairava abaixo de 50% em 2010.  Ao mesmo tempo, milhões de americanos foram se voltando para terapias alternativas e complementares, através de dietas e suplementos como substitutos ou complementos para as terapias farmacológicas convencionais para a hipertensão e uma variedade de outras doenças. O importante é que esses pacientes sejam acompanhados por profissionais capacitados que possam usar tais terapias complementares como estratégia em combinação com a apropriada mudança de estilo de vida. Isso pode, por vezes, mas nem sempre, substituir uma abordagem baseada em drogas farmacêuticas para o tratamento da hipertensão e prevenir danos aos órgãos alvo.

 

O site da Mayo Clinic define hipertensão como "uma condição comum em que a força do sangue contra as paredes das artérias é alta o suficiente para que possa, eventualmente, causar problemas de saúde, tais como doenças cardíacas”. Aprendi com o Dr. Houston e falo exaustivamente em minhas palestras e aulas que a hipertensão, que é uma resposta vascular desregulada e crônica aos insultos infinitos às paredes dos vasos sanguíneos. O resultado inicial exagerado desses insultos é finito e triplo: inflamação, estresse oxidativo, disfunção imunológica e vascular. As consequências posteriores, tanto biomecânicas como biohumorais (bioquímicas, metabólicas e nutricionais), danos vasculares e disfunção do endotélio, além do músculo liso vascular com vasoconstrição e hipertensão. O sistema vascular nessa interação com os padrões de expressão de genes ambientais é um espectador inocente. A pressão arterial elevada é uma entre várias respostas da disfunção endotelial e da disfunção do músculo liso vascular, os quais precedem o desenvolvimento da hipertensão por décadas.

 

Embora reconheçamos o papel da predisposição genética, devemos enfatizar o importante papel do meio ambiente. Acredita-se que cerca de 80% da doença vascular é ambiental e não genética. Por isso, é importante avisarmos aos nossos pacientes para que eles não fiquem sentados, esperando um evento cardiovascular, principalmente, se há uma história familiar por trás. A chave para a prevenção e tratamento da hipertensão e doença cardiovascular está  na modulação dos insultos ambientais e nos distúrbios a jusante dos padrões de expressão genética. Os dois “jogadores” principais nas doenças vasculares que levam à hipertensão são angiotensina II e óxido nítrico. Quando cronicamente elevada, a angiotensina II promove vasoconstrição excessiva e hipertensão, inflamação, estresse oxidativo, disfunção imune vascular e trombose. É também proaterogênica. Já o óxido nítrico é a antítese. Ele provoca vasodilatação, é anti-hipertensivo e anti-inflamatório, e reduz o estresse oxidativo, a disfunção imune vascular e a trombose. É antiaterogênico. Estratégias terapêuticas, sejam através de agentes farmacológicos ou nutrientes, devem visar, portanto, aumentar a disponibilidade de óxido nítrico e diminuir os efeitos da angiotensina II.

 

Então podemos fazer a seguinte pergunta: Quem vem primeiro, a doença vascular ou a hipertensão? Hoje, podemos dizer que a maioria dos pesquisadores acredita que a doença microvascular e a disfunção endotelial ocorrem primeiro, com a pressão arterial sendo um marcador. Mas, uma vez que a pressão arterial sobe, faz com que a disfunção endotelial piore. Então ficamos com um sistema bidirecional, de modo que ambos devem ser tratados ao mesmo tempo em uma abordagem  integrada que melhore a saúde vascular, otimize a função biológica e estrutura vascular  e retarde o envelhecimento vascular e doença cardiovascular subsequente.

 

Compostos naturais e terapias combinadas

 

Muitos compostos naturais em alimentos, bem como certos suplementos nutracêuticos, vitaminas, antioxidantes ou minerais podem “mimetizar” drogas, funcionando de maneira semelhante a uma classe específica de medicamentos anti-hipertensivos. No entanto, eles podem ser menos potentes e demorar mais tempo para agir do que um fármaco anti-hipertensivo. Mas, quando utilizado em combinação com outros nutrientes e suplementos nutracêuticos, o efeito do anti-hipertensivo pode ser ampliado. Essa tem sido minha escolha terapêutica nos últimos anos, a sinergia de produtos. Entre os compostos mais úteis temos:

 

• Diuréticos: Vitamina B6, taurina e magnésio, funcionam bem juntos.

 

• Agonistas alfa Central: Entre os melhores estão taurina, vitamina B6 e potássio.

 

• Vasodilatadores diretos: Ômega-3, magnésio, e coenzima Q10 (CoQ10), são muito bons. 

 

• Bloqueadores de Canal de Cálcio: Ácido alfa-lipóico, magnésio e Ômega-3

 

• IECA: Picnogenol, Ômega-3 e a proteína do soro do leite hidrolisada

 

Os nutrientes podem ser adicionados um ao outro, ou com drogas clássicas para conseguir efeito aditivo ou benefícios sinérgicos, não apenas sobre a pressão sanguínea, mas sobre a saúde vascular e a disfunção endotelial. Por exemplo, podemos usar diuréticos com bloqueadores dos receptores de angiotensina(BRA),  picnogenol ou ácido lipóico com os IECA, licopeno com vários agentes anti-hipertensivos, vitamina C com bloqueadores de cálcio,  N-acetilcisteína com arginina e por aí vai. O importante é entender o que desejamos de cada paciente, e que isso não se limita à queda dos níveis de pressão arterial, mas a regulação da saúde vascular.

 

Finalizando, é importante que os profissionais estejam cientes de possíveis deficiências nutricionais causadas pela administração de medicamentos anti-hipertensivos e façam as devidas investigações e correções quando necessárias.  Hidroclorotiazida e clortalidona diminuem potássio, magnésio, fósforo, sódio, cloreto, folato, B6, zinco, iodo e CoQ10, enquanto aumentam a homocisteína, cálcio, creatinina, glicose e resistência à insulina. A incidência de diabetes mellitus tipo 2 parece crescer a uma taxa de 5% ao ano e a incidência de insuficiência renal em 10 anos chega a 35%. Betabloqueadores de primeira e de segunda geração reduzem CoQ10,  IECA e BRA diminuem  o zinco. Portanto, seja medicamento clássico ou suplemento nutracêutico, só deve usar quem realmente sabe o que está fazendo e entende sobre a real  finalidade. Saúde a todos!

 

 

 

 

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