O papel dos alimentos funcionais na prevenção do câncer

Os componentes que possuem alegação de propriedade funcional aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) são: ômega-3, carotenoides, fibras alimentares, fitoesteróis, polióis, probióticos e proteína de soja. Tem-se sugerido que o ômega-3, em especial, as frações dos ácidos eicosapentaenoico e docosaexaenoico, pode ser eficaz na redução do risco de câncer de mama. Prováveis mecanismos incluem a redução em derivados lipídicos pró-inflamatórios, inibição da produção de citocina induzida por fator nuclear kappa B e diminuição da sinalização do receptor do fator de crescimento, como resultado da alteração nas membranas celulares. Além disso, o ômega-3 parece ser benéfico para a inibição de células de câncer de pele não melanoma, isso porque pode inibir a expressão de compostos cancerígenos gerados pela irradiação ultravioleta. Com relação às fibras alimentares, tem-se proposto que elas desempenham papel importante na prevenção do câncer de cólon, pois possuem capacidade de reduzir o tempo de contato dos elementos carcinogênicos no lúmen intestinal e podem contribuir para a manutenção da flora intestinal, que exerce influência direta no metabolismo. Outrossim, a ingestão adequada de fibras tem sido inversamente associada com o risco de câncer de mama e câncer de esôfago. O licopeno tem sido identificado como um agente antioxidante com potenciais propriedades anticancerígenas, especialmente no tocante ao câncer de próstata, pois, em investigações in vitro, foi demonstrado que o carotenoide pode influenciar as propriedades de adesão e migração celular. O possível efeito quimiopreventivo do fitoesterol, betassitosterol, no câncer do cólon está relacionado com os seus efeitos de supressão da expressão de betacatenina e antígenos cancerígenos nos colonócitos. Tem sido evidenciado que determinadas cepas de bactérias probióticas, em destaque os Lactobacillus casei Shirota, podem exercer efeito anticancerígeno por aumentar a atividade das células natural killer (NK). Outros mecanismos, também, têm sido propostos e incluem alteração da atividade metabólica da microbiota intestinal, inibição de agentes cancerígenos, aumento quantitativo e qualitativo da microbiota e produção de compostos antimutagênicos. Embora haja estudos que mostrem associação dos alimentos funcionais com redução do risco de câncer, ainda, são necessários mais estudos que comprovem a real eficácia em humanos, além da quantidade segura que pode ser consumida. Ademais, vale destacar que, ainda, nenhum desses alimentos revela propriedade funcional de prevenção de câncer comprovada pela ANVISA. REFERÊNCIA BASKAR, A. A. et al. Chemopreventive potential of beta-Sitosterol in experimental colon cancer model--an in vitro and In vivo study. BMC Complement Altern Med., London, v. 10, n. 24, p. 1-19, 2010. BLACK, H. S.; RHODES, L. E. Potential Benefits of omega-3 fatty acids in non-melanoma skin cancer. J Clin Med., Basel, v. 5, n. 2, p. 1-20, 2016. CHEN, P. et al. Lycopene and risk of prostate cancer: a systematic review and meta-analysis. Medicine (Baltimore), Hagerstown, v. 94, n. 33, p. 1-25, 2015. ELGASS, S.; COOPER, A.; CHOPRA, M. Lycopene treatment of prostate cancer cell lines inhibits adhesion and migration properties of the cells. Int J Med Sci., Austrália, v. 21, n. 9, p. 948-954, 2014. FABIAN, C. J.; KIMLER, B. F.; HURSTING, S. D. Omega-3 fatty acids for breast cancer prevention and survivorship. Breast Cancer Res., London, v. 17, n. 62, p. 1-11, 2015. FARVID, M. S. et al. Dietary fiber intake in young adults and breast cancer risk. Pediatrics., Springfield, v. 137, n. 3, p. 1-11, 2016. RAFTER, J. Lactic acid bacteria and cancer: mechanistic perspective. Br J Nutr., Cambridge, v. 88, suppl. 1, p. 89-94, 2002. REHMAN, K. et al. Immunomodulatory effectiveness of fish oil and omega-3 fatty acids in human non-melanoma skin carcinoma cells. J Oleo Sci., Tokyo, v. 65, n. 3, p. 217-224, 2016. SHIDA, K.; NOMOTO, K. Probiotics as efficient immunopotentiators: translational role in cancer prevention. Indian J Med Res., New Delhi, v. 138, n. 5, p. 808-814, 2013. Sun, L. et al. Dietary fiber intake reduces risk for barrett's esophagus and esophageal cancer. Crit Rev Food Sci Nutr., Boca Raton, v. 13, 2015. VIDAL, A. M. et al. A ingestão de alimentos funcionais e sua contribuição para a diminuição da incidência de doenças. CGCBS., Aracaju, v. 1, n. 5, p. 43-52, 2012. ZENG, H.; LAZAROVA, D. L.; BORDONARO, M. Mechanisms linking dietary fiber, gut microbiota and colon cancer prevention. World J Gastrointest Oncol., Beijing, v. 6, n. 2, p. 41-51, 2014.

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