Cálcio: bioquímica, biodisponibilidade e ação


O cálcio é um mineral essencial para as funções biológicas do organismo, como manutenção da saúde óssea, contração muscular, mitose, transmissão do impulso nervoso, formação de fibrina durante o processo de coagulação sanguínea e para o suporte estrutural do esqueleto. A absorção do mineral acontece no trato digestório, por meio de dois processos: transporte ativo, que ocorre predominantemente no duodeno e jejuno proximal, que é mediado pela vitamina D e regulado pela ingestão alimentar e necessidades do organismo; e transporte passivo, também, denominado de difusão simples ou facilitada, que se dá, principalmente, no jejuno distal e no íleo. Ainda, todo o intestino é capaz de absorver o cálcio, porém a maior parte do processo acontece no intestino delgado. Com relação à biodisponibilidade do mineral, além de sofrer influência da idade, condição fisiológica e regulação hormonal, que interferem na sua absorção e excreção, alguns componentes da alimentação, também, interferem na biodisponibilidade. Quando a alimentação não é equilibrada, compostos antinutricionais, entre os quais, os fitatos, presentes nos cereais e sementes, os oxalatos, no espinafre e ruibarbo, e os taninos, encontrados nos chás, podem reduzir a absorção do cálcio por formarem complexos insolúveis. Além desses, o sódio influencia negativamente a absorção do cálcio, pois sua ingestão elevada acarreta aumento da excreção renal de cálcio. Por sua vez, os carboidratos, em especial a lactose, parecem aumentar a absorção do cálcio. O mineral é encontrado em diversas concentrações, dependendo do alimento analisado, sendo normalmente os produtos lácteos as maiores fontes. Entretanto, também, está presente em vegetais verde-escuros, nozes e alguns peixes. Vale destacar que, aproximadamente, 30% do cálcio dietético está biodisponível nos alimentos, todavia esse teor tende a ser menor em alimentos de origem vegetal. O valor médio de ingestão diária de cálcio para indivíduos de ambos os sexos, de 9 a 18 anos, é de 1300mg/dia, já para aqueles entre 19 e 50 anos, é de 1000mg/dia, e de 1200mg/dia para pessoas acima de 50 anos. É fundamental a adequação do seu consumo em virtude da sua importância ao organismo, bem como quanto à prevenção de sua deficiência, que pode acarretar raquitismo, crescimento ósseo anormal em crianças; redução da densidade mineral óssea, osteoporose, entre outras morbidades. Referência ASSUMPÇÃO, D. et al. Calcium intake by adolescents: a population-based health survey. J Pediatr. (Rio J), Rio de Janeiro, v. 92, n. 3, p. 251-259, 2016. MARTINS, F. F. et al. Metabolismo do cálcio na fenilcetonúria. Rev. Nutr., Campinas, v. 22, n. 3, p. 419-428, 2009. BUZINARO, E. F.; ALMEIDA, R. N. A.; MAZETO, G. M. F. S. Biodisponibilidade do cálcio dietético. Arq Bras Endocrinol Metab., São Paulo, v. 50, n. 5, p. 852-861, 2006. PADOVANI, M. R. et al. Dietary reference intakes: aplicabilidade das tabelas em estudos nutricionais. Rev. Nutr., Campinas, v. 19, n. 6, p. 741-760, 2006. PEREIRA, G. A. P. et al. Cálcio dietético – estratégias para otimizar o consumo. Rev Bras Reumatol., São Paulo, v. 49, n. 2, p. 164-180, 2009.

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