Obesidade e amamentação: qual a relevância?

November 1, 2016

 

 

O aleitamento materno constitui-se no primeiro alimento e experiência nutricional do recém-nascido, sendo considerado o método mais adequado de fornecer nutrientes e proteção à criança, além de estabelecer o vínculo afetivo entre mãe e filho. Todavia, nos últimos anos, houve uma redução mundial do aleitamento materno, evidenciada pelo desmame precoce, associado a diversos fatores, tais como o trabalho fora de casa, o não recebimento de orientações quanto à pega e posição, primiparidade, intercorrência mamária e dificuldades para amamentar.

Os últimos dados referentes às taxas de prevalência de aleitamento materno exclusivo revelam que apenas 41% das crianças brasileiras foram alimentadas nos seis primeiros meses de vida, exclusivamente, por leite materno. No Suriname (2,8%) e Canadá (25,9%), as taxas são ainda menores, em contrapartida, os números são maiores na Bolívia (60,4%) e no Peru (72,3%).

A Organização Mundial da Saúde recomenda que o aleitamento materno exclusivo seja até os 6 meses e complementado com outros alimentos pelo menos até os 2 anos de idade. A recomendação decorre de inúmeros benefícios, tanto para a criança quanto para a mãe.

A amamentação tem sido considerada como fator de proteção contra o excesso de peso e a obesidade na infância e adolescência, influenciados pela interação entre fatores genéticos, neuroendócrinos, ambiente e estilo de vida. A composição exclusiva do leite materno pode estar implicada no processo de imprint metabólico, alterando a quantidade e/ou tamanho dos adipócitos ou induzindo os mecanismos de diferenciação metabólica. Por meio do aleitamento materno, a criança adquire nutrientes bioativos que contribuem para a regulação do sistema endócrino, imunológico e desenvolvimento neural.

Tem sido postulado que o maior tempo de duração de aleitamento materno está associado com a diminuição no risco de sobrepeso na vida adulta. Nessa situação, estima-se que há redução de 4% no risco de obesidade a cada mês de amamentação.

Por sua vez, crianças alimentadas com fórmulas infantis, nos primeiros 6 meses de vida, revelam 2,5 vezes maior risco de obesidade na infância. A introdução precoce de alimentos sólidos (<4 meses), também, associa-se com aumento na probabilidade de obesidade.

Em suma, é importante ressaltar que o aleitamento materno não traz impacto apenas relacionado ao estado nutricional, mas, de igual modo, no desenvolvimento de outras doenças crônicas em fases posteriores. Logo, é fundamental que o profissional da saúde estimule e encoraje a prática do aleitamento materno quando esta for viável. De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde, melhorar as práticas de amamentação poderia salvar mais de 820 mil vidas por ano, sendo 87% delas relacionadas a crianças com menos de 6 meses de idade.



REFERÊNCIA

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