Disbiose intestinal e depressão.


A disbiose intestinal se caracteriza por alterações na atividade e local de distribuição da microbiota intestinal, em que ocorre predomínio das bactérias patogênicas sobre as benéficas. Esse desequilíbrio reflete no aumento da permeabilidade do intestino e na diminuição da seletividade na absorção de toxinas, bactérias, proteínas ou peptídeos, assim, contribuindo para inflamação local e sistêmica.

Entre as causas da disbiose, destacam-se o estresse psicológico e fisiológico, a idade e alimentação. Esse distúrbio, cada vez mais comum, vem sendo considerado como relevante no diagnóstico de várias desordens, tais como transtornos de humor, que inclui a depressão.

A depressão é uma condição clínica caracterizada por, além de alterações do humor (tristeza profunda, irritabilidade, apatia), modificações cognitivas, psicomotoras e vegetativas (sono e apetite).

Diversos fatores relacionados à microbiota são implicados sobre a fisiologia do estresse, do humor, da cognição e do comportamento por exercerem influência sobre o sistema nervoso. Na disbiose, o desequilíbrio na microbiota intestinal interfere na comunicação direta entre o intestino e o cérebro (via nervo vago), diminui as defesas antioxidantes e limita a biodisponibilidade de neurotransmissores, por exemplo, o triptofano, que é relacionado à sensação de bem-estar.

Sabe-se que a microbiota interfere na produção de citocinas inflamatórias e interage com o sistema hipotalâmico-pituitário-suprarrenal desempenhando importante papel na regulação do ciclo normal do sono. Na disbiose, em que ocorrem alterações no trato intestinal, as mudanças são acompanhadas por humor deprimido, distúrbios no sono e aumento da ansiedade.

As bactérias benéficas do intestino são precursoras da síntese de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), como o acetato, propionato e butirato, por meio da fermentação das fibras alimentares. Os AGCC são inibidores das histonas deacetilases e tal efeito tem sido proposto como efeito positivo na melhora da função cognitiva. Por sua vez, o desequilíbrio na desacetilação da histona tem sido associado à depressão.

Evidências científicas apontam que o consumo regular de probióticos, bactérias que exercem efeitos benéficos sobre a microbiota, pode auxiliar na melhora das condições adversas de humor, pois essas bactérias poderiam atuar no controle da liberação de espécies reativas de oxigênio e, portanto, contribuiriam para o aumento da defesa antioxidante, assim, protegendo a integridade celular e, consequentemente, as suas funções, além de ocorrer redução do estresse oxidativo.

Contudo, visto que a microbiota pode influenciar sobre a saúde cerebral, o comportamento, a função cognitiva e o humor, faz-se necessário o reconhecimento de fatores de risco que podem interagir sobre a progressão do desequilíbrio do trato intestinal, bem como para a prevenção de morbidades associadas. Dessa forma, a aquisição de hábitos de vida saudável, que inclui alimentação com alimentos in natura, frutas, verduras e legumes que são fontes de fibras e alimentos com probióticos, mostra-se como estratégia promissora à saúde e ao bem-estar físico e emocional.

REFERÊNCIA

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