O impacto da alimentação atual nas desordens estéticas

December 13, 2016

 

 

Nas últimas décadas, tem sido observado o aumento da substituição de alimentos in natura (alimentos obtidos diretamente de plantas ou animais) e minimamente processados (alimentos in natura que, antes de sua aquisição, foram submetidos a alterações mínimas) por alimentos ultraprocessados (alimentos cuja fabricação envolve a adição de vários ingredientes, sendo muitos deles de uso exclusivamente industrial) de baixa qualidade nutricional, alta densidade energética, com maior teor de gorduras saturadas e trans, açúcar simples, sódio, menor teor de fibras e vitaminas e adição de aditivos químicos.

Em paralelo ao elevado consumo de ultraprocessados, a prevalência de obesidade e doenças crônicas não transmissíveis, também, tem aumentado de forma alarmante em toda a população. No Brasil, de acordo com os dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) de 2008-2009, a prevalência de excesso de peso dobrou nos últimos 30 anos, atingindo 50% dos homens e 48% das mulheres. Relacionadas a isso, alterações dermatológicas atinentes à obesidade vêm sendo estudadas, com destaque para estrias e celulite.

As estrias são fragilidades da pele nas regiões das dobras, mais comumente encontradas em indivíduos acima do peso. Ocorrem rupturas das fibras elásticas, localizadas na derme, o que gera atrofia, sendo definida como atrofia tegumentar adquirida, linear, podendo ter um ou mais milímetros de largura.

A celulite é uma afecção frequente que acomete principalmente o público feminino. Ocorrem alterações no tecido subcutâneo, que envolve o sistema da microcirculação e dos vasos linfáticos, a matriz extracelular e a presença de excesso de gordura subcutânea. A região mais atingida é a gluteofemoral, que fica com aparência de “casca de laranja” ou de “queijo cottage”. Esta afecção não ocorre apenas em indivíduos com sobrepeso, embora o aumento da adipogenicidade eleve o risco do desenvolvimento e provoque o agravo da condição.

Também muito se tem discutido a respeito da influência da alimentação sobre os pilares etiopatogênicos fundamentais da acne: (1) hiperproliferação dos queratinócitos basais, (2) aumento da produção sebácea, (3) colonização pelo Propionibacterium acnes e (4) inflamação. Postula-se que o consumo frequente e em excesso de alimentos com alto índice glicêmico pode expor o indivíduo, especialmente os adolescentes, à hiperinsulinemia aguda que, em consequência, influencia no crescimento epitelial folicular, na queratinização e, também, na secreção sebácea. Além disso, alta carga glicêmica gera estresse oxidativo, que, por sua vez, estimula mediadores da inflamação.

Nesse contexto, recentemente, foi lançada, pelo Ministério da Saúde do Brasil, a segunda edição do Guia Alimentar para a População Brasileira, uma das primeiras publicações a priorizar o consumo de alimentos in natura e minimamente processados e que recomenda evitar o consumo de alimentos ultraprocessados no cotidiano da população.

REFERÊNCIAS

AZEVEDO, A. L. G.; PUJOL, A. P. Inflamação crônica e desordens estéticas. In: PUJOL, A. P. P. Nutrição aplicada à estética. Rio de Janeiro: Editora Rubio, 2011. cap 3. p. 21-34.

BIELEMANN, R. M. et al. Consumo de alimentos ultraprocessados e impacto na dieta de adultos jovens. Rev. Saúde Pública, São Paulo, v. 49, n. 28, p. 1-10, 2015.

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CLARO, R. M. et al. Preço dos alimentos no Brasil: prefira preparações culinárias a alimentos ultraprocessados. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 32, n. 8, p. 1-13, 2016.

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INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008-2009. Rio de Janeiro; IBGE, 2010.

LOUZADA, M. L. C. Alimentos ultraprocessados e perfil nutricional da dieta no Brasil. Rev. Saúde Pública, São Paulo, v. 49, n. 38, p. 1-11, 2015.

MENDONCA, R. S. C.; RODRIGUES, G. B. O. As principais alterações dermatológicas em pacientes obesos. Arq. Bras. Cir. Dig., v. 24, n.1, p. 68-73, 2011.

RAWLINGS, A. V. Cellulite and its treatment. Int J Cosmet Sci., Oxford, v. 28, n. 3, p. 175-190, 2006.


 

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