Osteoporose pós-menopausa: abordagem nutricional

December 20, 2016

 

 

A osteoporose é caracterizada pela redução da massa óssea e danificação na microarquitetura do tecido ósseo, o que leva a uma maior fragilidade mecânica e predisposição a fraturas. Esta desordem é mais frequente nas mulheres do que nos homens, especialmente a partir dos 40 anos de idade, quando inicia o processo de diminuição do volume de massa óssea de forma lenta. Já por volta dos 49 anos, na mulher, a perda de massa óssea é acelerada, levando, entre outras alterações, à osteoporose, umas das comorbidades do climatério.

Em âmbito global, milhares de mulheres são afetadas pela osteoporose pós-menopausa; a redução da síntese do hormônio estrogênio constitui-se como fator-chave na evolução dessa alteração óssea. Na pós-menopausa, devido à redução do estrogênio, algumas mulheres começam a perder massa óssea acima de 1% ao ano, sendo que, após 5 anos, esta perda pode ser superior a 25%.  Além disso, nessas mulheres, pode ser observado hiperparatireoidismo secundário, por menor absorção de cálcio e vitamina D na pós-menopausa tardia.

A prevalência da osteoporose varia de acordo com a idade e a raça em cada região do mundo. Dados populacionais levantados pela Organização Mundial da Saúde demonstraram que a prevalência da osteoporose em norte-americanas e caucasianas é em torno de 17%; nas hispano-americanas, de 12%; e de 8% nas afro-americanas.

Devido ao aumento de casos de osteoporose entre as mulheres, a prevenção de fraturas tem sido constituída como prioridade de saúde pública. Nesse sentido, diferentes tratamentos para osteoporose estão disponíveis, objetivando a manutenção da saúde óssea da mulher e a reduzir o risco de fraturas.

No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza alguns fármacos ao tratamento da osteoporose que reduzem o volume de perda óssea e a reabsorção óssea, como os bifosfonatos, carbonato de cálcio, colecalciferol e calcitriol. Em determinados casos, é utilizada a terapia de reposição hormonal, porém esta deve ser conduzida de forma adequada, pois, em algumas mulheres, pode culminar em riscos adversos, como o aumento do risco de câncer de mama.

Como forma de tratamento não farmacológico, pode ser necessária a suplementação de cálcio e vitamina D, pois já foi demonstrado que o consumo desses nutrientes contribui para a diminuição do risco de fraturas. O consumo adequado de proteínas, também, é frisado durante o tratamento. Outras medidas que visam à redução de fatores de risco modificáveis através da mudança de estilo de vida são essenciais para melhorar a saúde do sistema ósseo, dentre as quais, evitar o excesso de consumo de bebidas alcoólicas, não fazer uso de tabaco e realizar, regularmente, a prática de exercícios físicos que ajudem no fortalecimento dos ossos e músculos.

Entretanto é fundamental que toda mulher, na pós-menopausa, realize exame de avaliação do risco de osteoporose, objetivando a detecção precoce e o tratamento.

REFERÊNCIA

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