Síndrome do olho seco: etiologia, prevalência e tratamento

December 27, 2016

 

 

Síndrome do olho seco ou queratoconjuntivite seca (KCS) é uma desordem multifatorial do filme de lágrimas e da superfície ocular que ocasiona desconforto, distúrbios visuais, instabilidade do filme lacrimal e danos na superfície ocular interpalpebral.

O desenvolvimento da síndrome é divido em duas fases: na primeira, os tecidos oculares de indivíduos suscetíveis sofrem agressão de um ou mais estímulos ambientais; na segunda fase, alterações fisiológicas, como reações inflamatórias, levam à instabilidade do filme lacrimal, à diminuição da secreção lacrimal e ao aumento da evaporação ou mudança da composição da lágrima.

Com relação aos dados de prevalência, a KCS é uma desordem relativamente comum, afetando principalmente adultos acima de 40 anos e mulheres. Estima-se que as taxas variem em torno de 7-33%. Além disso, aproximadamente 25% dos pacientes que visitam clínicas oftalmológicas relatam sintomas de olho seco.

Embora alguns indivíduos sejam assintomáticos, a maioria dos portadores da síndrome do olho seco apresenta sintomas como ardência, sensação de corpo estranho, prurido, fotofobia, visão embaçada e lacrimejamento excessivo. Complicações relacionadas à doença incluem infecções bacterianas, ceratite, úlcera corneal e até cegueira.

Vários fatores de risco para o desenvolvimento da síndrome do olho seco já foram identificados, tais como a idade avançada e ser do sexo feminino (particularmente, mulheres na menopausa e pós-menopausa). O clima, a umidade relativa baixa, o ambiente interno, a poluição, o transporte aéreo e as temperaturas extremas desempenham um papel relevante na prevalência da síndrome, pois impactam negativamente sobre o filme lacrimal. Vento, luz do sol e calor são uns dos fatores mais relatados quanto a causar impactos sobre os sintomas do olho seco.

Recentemente, a deficiência de vitamina D, também, começou a ser sugerida como um fator que contribui para o desenvolvimento da KCS. Embora o mecanismo ainda não esteja claro, sabe-se que a vitamina D desempenha papel imunomodulador da imunidade inata e adaptativa.

O primeiro passo para o tratamento da síndrome é a identificação do fator causal para, então, tentar eliminá-lo e/ou tratá-lo. Depois disso, independente do fator etiológico, a terapia de primeira linha é o aumento do filme lacrimal com substitutos de lágrimas artificiais para administração tópica. Todavia pode ser necessário o uso de anti-inflamatórios, secretagogos, entre outros medicamentos.

No que diz respeito à terapia nutricional, tem sido demonstrado que, em indivíduos com a síndrome do olho seco refratários ao tratamento convencional e com hipovitaminose D, quando tratados com vitamina D, ocorre melhora no quadro sintomático.

Semelhantemente, a suplementação de ômega-3 demonstra aliviar os sintomas do olho seco em indivíduos que usam lente de contato ou que sofrem do olho seco devido à síndrome da visão de computador (ficam mais que 3h/dia na frente do computador).

Por fim, é necessário que mais estudos sejam realizados acerca do tema com vistas à elucidação dos mecanismos subjacentes e efeitos dos nutrientes na saúde ocular.

REFERÊNCIAS

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FONSECA, E. C.; ARRUDA, G. V.; ROCHA, E. M. Olho seco: etiopatogenia e tratamento. Arq Bras Oftalmol., São Paulo, v. 73, n. 2, p. 197-203, 2010.

GAYTON, J. L. Etiology, prevalence, and treatment of dry eye disease. Clin Ophthalmol., Auckland, v. 3, p. 405-412, 2009.

JAVADI, M. A.; FEIZI, S. Dry Eye Syndrome. J Ophthalmic Vis Res., Tehran, v. 6, n. 3, p. 192-198, 2011.

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