Modulação do metabolismo lipídico: benefícios na gestão das doenças cardiovasculares


A doença cardiovascular, também denominada cardiopatia, é um termo amplo que designa diversas condições cardíacas e vasculares. Entre as mais comuns estão a doença arterial coronariana, a hipertensão arterial e a parada cardiorrespiratória.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), nas últimas décadas, as doenças cardiovasculares foram responsáveis por 30% da mortalidade total, o que corresponde a 17 milhões de pessoas. A partir desse perfil epidemiológico, a OMS estabeleceu como meta até o ano de 2025 a redução em 25% de doenças crônicas não transmissíveis, entre elas as doenças cardiovasculares.

Embora sejam de etiologia multifatorial, as alterações lipídicas podem ser consideradas como os principais fatores de risco modificáveis, e seu controle é fundamental na prevenção, na gestão e no tratamento das doenças cardiovasculares.

A adequação do perfil alimentar, a perda de peso e a prática regular de atividade física devem ser recomendadas a todos os pacientes, de modo que a tríade possui relação com a manutenção dos níveis séricos de colesterol e triglicérides total.

Além dos fármacos normalmente utilizados no tratamento, determinados nutrientes exercem papel importante como coadjuvantes na modulação do metabolismo lipídico.

A ingestão de ácidos graxos ômega-3 auxiliam na manutenção dos níveis saudáveis de triglicérides. Diversos mecanismos para essa ação são propostos, entre eles o estímulo da diminuição da produção hepática de triacilglicerol e apolipoproteína B e a inibição direta da diacilglicerol acetiltransferase (DGAT) e/ou do ácido fosfatídico fosfo-hidrolase (PAP), que resulta na redução da produção de triglicerídeos.

Por sua vez, as fibras atuam reduzindo a absorção de colesterol sérico devido a suas características físico-químicas, que conferem propriedades viscosas ao conteúdo luminal. Especificamente, os dados epidemiológicos sugerem uma relação de proteção entre o consumo de fibra alimentar e o risco para doença cardiovascular também pela diminuição da pressão sanguínea e dos níveis de biomarcadores de inflamação.

Assim como as fibras, os fitosteróis auxiliam na redução da absorção do colesterol. Esses compostos são de origem vegetal, mas possuem estrutura semelhante ao colesterol. Eles apresentam maior afinidade físico-química com a micela do que o colesterol, e, por isso, permanecem mais tempo em seu interior, o que desloca o colesterol para fora dessa estrutura, diminuindo sua absorção pelo enterócito.

Por fim, são necessários mais estudos acerca do tema objetivando a agregação de novas informações com respaldo científico a fim de melhorar a qualidade de vida dos pacientes e as medidas preventivas dessas doenças.

REFERÊNCIAS

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