Adaptógenos e estresse

Nos tempos atuais, o estresse tem se tornado um problema de saúde frequente e prevalente na população ao redor do mundo, inclusive no Brasil. A rápida urbanização, a transição global, o estilo de vida e a condição financeira têm deixado as pessoas debilitadas e, com isso, mais suscetíveis ao estresse, que tem assumido o status de doença da sociedade moderna. O estresse é definido como uma reação do organismo que ocorre em situações que exigem adaptações além do seu limite, o que resulta em implicações na qualidade de vida e na sensação de bem-estar do indivíduo. Como consequências do estresse podemos observar maiores taxas de absenteísmo e desmotivação no trabalho, além de relações afetivas conturbadas, doenças físicas associadas e/ou ansiedade no âmbito pessoal. Somada aos fatores socioculturais, sabe-se que a alimentação nutricionalmente desequilibrada, que, em parte, deve-se ao maior tempo que se passa fora de casa, pode resultar em uma capacidade diminuída do organismo em lidar com as alterações fisiológicas do estresse. O sistema nervoso central depende dos nutrientes que são fornecidos por meio de uma alimentação variada e saudável, especialmente para manter a estrutura cerebral e a função cognitiva em estado normal. Os nutrientes com propriedades antioxidantes, por exemplo, exercem papel fundamental na manutenção dos processos cognitivos. Outrossim, o estresse aumenta a peroxidação lipídica, provocando um desequilíbrio entre a atividade das enzimas antioxidantes. Assim, a suplementação com antioxidantes é considerada uma estratégia benéfica para aliviar a tensão. Os níveis de vitamina C são particularmente elevados no cérebro e são necessários para a transformação de dopamina em noradrenalina, bem como para a produção de outros neurotransmissores. A vitamina E exerce efeitos neuroprotetores contra os danos dos radicais livres, prevenindo lesões celulares no cérebro. As vitaminas A e E protegem as células contra a peroxidação lipídica, ao passo que a vitamina C atua sinergicamente com as vitaminas do complexo B e é essencial para o metabolismo e para a utilização do ácido fólico (vitamina que, em concentrações reduzidas, pode causar irritabilidade, insônia e depressão). Do mesmo modo, uma série de minerais, incluindo zinco, magnésio e cálcio, são essenciais para o funcionamento adequado do sistema nervoso central e desempenham diversas funções, entre elas a mielinização, a síntese de neurotransmissores e a modulação da atividade dopaminérgica e dos sistemas de neurotransmissores adenosinérgicos. Os ácidos graxos ômega-3 também têm sido identificados como importantes adjuvantes no tratamento de transtornos de humor e ansiedade, especialmente devido às suas atividades neurobiológicas por meio da modulação de neurotransmissores e devido à sua ação anti-inflamatória e antioxidante. Em populações com deficits de ômega-3, têm sido relatados transtornos de humor, depressão e transtornos de ansiedade social. A capacidade de melhorar o humor e aumentar o ânimo também tem sido atribuída aos produtos de cacau, como o chocolate amargo. Devido ao seu teor de antioxidantes e à sua concentração de triptofano, que é o precursor da serotonina, o produto pode ser eficaz na gestão do estresse. REFERÊNCIAS AL SUNNI, A.; LATIF, R. Effects of chocolate intake on Perceived Stress; a Controlled Clinical Study. Int J Health Sci (Qassim)., Qassim, v. 8, n. 4, p. 393-401, 2014. BECKER, K. et al. Immunomodulatory properties of cacao extracts – potential consequences for medical applications. Front Pharmacol., Lausanne, v. 4, n. 154, p. 1-9, 2013. KARKOW, F. Metabolismo da água e eletrólitos. In: KARKOW, F. Tratado de metabolismo humano. Rio de Janeiro: Livraria e Editora Rubio, 2010. cap. 3. p. 43-92. KENNEDY, D. O. et al. Effects of high-dose B vitamin complex with vitamin C and minerals on subjective mood and performance in healthy males. Psychopharmacology (Berl)., Berlin, v. 211, n. 1, p. 55-68, 2010. PASCHOAL, V. Suplementação funcional magistral: dos nutrientes aos compostos bioativos. São Paulo: Valeria Paschoal Editora Ltda., 2008. 496 p. SADIR, M. A.; BIGNOTTO, M. M.; LIPP, M. E. N. Stress e qualidade de vida: influência de algumas variáveis pessoais. Paidéia (Ribeirão Preto), Ribeirão Preto, v. 20, n. 45, p. 73-81, 2010. STOUGH, C. et al. Reducing occupational stress with a B-vitamin focussed intervention: a randomized clinical trial: study protocol. Nutr J., London, v. 13, n. 122, p. 1-12, 2014. SU, K. P.; MATSUOKA, Y.; PAE, C. U. Omega-3 polyunsaturated fatty acids in prevention of mood and anxiety disorders. Clin Psychopharmacol Neurosci., Seoul, v. 13, n. 2, p. 129-137, 2015.

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