Comfort Food: comida afetiva


O alimento é uma necessidade humana fundamental que influencia tanto o estado fisiológico quanto o emocional. Itens alimentares não representam apenas um meio para a saciedade, mas também significam conforto ou recompensa, isso porque a motivação para comer não é meramente impulsionada por um desejo de consumir nutrientes e/ou de proporcionar a saciedade, mas também de manter um equilíbrio emocional e psicológico. O estado emocional de uma pessoa pode ser afetado pelas escolhas alimentares e pela quantidade ingerida. O alimento possui forte correlação com os hábitos de consumo de cada pessoa e com a cultura que a permeia. A comida está tão intimamente associada ao estado emocional que, normalmente, cada alimento pode desencadear sentimentos e sensações em determinadas situações, pois, por exemplo, a abertura de uma garrafa de champanhe, muitas vezes, sinaliza uma celebração de sucesso e comer uma grande quantidade de doces pode significar consolo após uma decepção. Sabe-se que os alimentos afetam o humor por meio de neurotransmissores e respostas do sistema endócrino. A ingestão de determinados alimentos, como os comfort food, tem como objetivo diminuir os sentimentos de impotência, depressão, perda de controle e de angústia, além de diminuir o estresse e aumentar sentimentos de alegria. O termo comfort food refere-se a comidas e/ou bebidas que remetem a alguma lembrança e/ou sentimento do passado (por exemplo: algo bom da infância) percebido como um momento feliz e que ao ser consumido proporciona conforto emocional ou sensação de prazer em situações de fragilidade, como exemplo, o estresse, a tristeza, a melancolia, dentre outros. O efeito emocional do comfort food provém de sua conexão com os sentimentos e lembranças pessoais, que se encontram embutidos na memória. Postula-se que o consumo desses alimentos leve à produção de dopamina (DA), que, por sua vez, promove estímulos de prazer e de alegria na região cerebral. Sabe-se que, nesse caso, o alimento cumpre um papel reconfortante, mesmo em situações de alto estresse e angústia, em que o valor nutricional do alimento é deixado de lado. Nos Estados Unidos da América, por exemplo, é usual permitir que os presos peçam uma última refeição, as quais, normalmente, possuem algum vínculo afetivo, seja por ser um prato típico familiar, da região nativa ou tradição cultural. Os tipos de comfort food normalmente apresentam diferenças entre os gêneros, já que, enquanto os homens preferem mais carnes e sopas, as mulheres preferem mais chocolates e sorvetes. Além disso, há diferenças entre as idades, sendo que jovens tendem a preferir mais lanches e os mais velhos preparações mais elaboradas. Em paralelo a isso, recentes estudos demonstraram que o consumo de comfort food foi associado à diminuição da percepção de estresse e do alívio da solidão. Por fim, visto que, além de nutrir, os alimentos possuem importante papel no estado emocional, é válido que sejam feitos mais estudos acerca do tema, com vistas a elucidar o mecanismo de ação dessa interação. REFERÊNCIAS FINCH, L. E.; TOMIYAMA, A. J. Comfort eating, psychological stress, and depressive symptoms in young adult women. Appetite., London, v. 95, p. 239-244, 2015. GIMENES-MINASSE, M. H. S. G. Comfort food: sobre conceitos e principais características. Revista de Comportamento, Cultura e Sociedade, São Paulo, v. 4, n. 2, p. 92-102 2016. HAMBURG, M. E.; FINKENAUER, C.; SCHUENGEL, C. Food for love: the role of food offering in empathic emotion regulation. Front Psychol., Pully, v. 5, n. 32, p. 1-9, 2014. MACHT, M.; DETTMER, D. Everyday mood and emotions after eating a chocolate bar or an apple. Appetite., London, v. 46, n. 3, p. 332-336, 2006. OLIVER, G.; WARDLE, J.; GIBSON, E. L. Stress and food choice: a laboratory study. Psychosom Med., Baltimore, v. 62, n. 6, p. 853-865, 2000. SINGH, M. Mood, food, and obesity. Front Psychol., Pully, v. 5, n. 925, p. 1-73, 2014. TROISI, J. D.; GABRIEL, S. Chicken soup really is good for the soul: "comfort food" fulfills the need to belong. Psychol Sci., New York, v. 22, n. 6, p. 747-753, 2011. WANSINK, B.; CHENEY, M. M.; CHAN, N. Exploring comfort food preferences across age and gender. Physiol Behav., Oxford, v. 79, n. 4-5, p. 739-747, 2003. WELTENS, N.; ZHAO, D.; VAN OUDENHOVE, L. Where is the comfort in comfort foods? Mechanisms linking fat signaling, reward, and emotion. Neurogastroenterol Motil., Osney Mead, v. 26, n. 3, p. 303-315, 2014.

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