Nutrientes na dieta vegetariana relacionados à gestação


Os preceitos científicos para uma alimentação saudável são difundidos e reconhecidos como essenciais às demandas nutricionais da gestação e dos eventos a ela relacionados, como o puerpério e a lactação, visando, principalmente, a saúde do binômio mãe-filho. Por outro lado, as práticas alimentares de mulheres durante o ciclo gravídico-puerperal podem ser influenciadas por outros fatores. O vegetarianismo é uma prática que abrange ampla variedade de condições dietéticas com diferentes implicações para a saúde. Assim, há definições e fundamentações que são divididas e seguidas conforme a aceitação pessoal. São elas: dieta vegana, ovolactovegetariana e semivegetariana, cada uma com um aspecto nutricional diferente. Uma das maiores preocupações das mulheres que se adequam a essa prática alimentar está relacionada ao aporte adequado de nutrientes fundamentais no momento da gestação. Sabe-se que, para diversas pessoas e profissionais, a dieta baseada em vegetais exclusivamente promove uma ampla deficiência nutricional, visto que os alimentos de origem animal são nutricionalmente mais completos. Em contrapartida, os vegetais combinados dentro de um planejamento adequado atendem todas as necessidades individuais, até mesmo para as gestantes. Com um bom planejamento nutricional, a dieta vegetariana, inclusive vegana, é adequada para gestantes, pois fornece os nutrientes necessários e promove o crescimento e o desenvolvimento adequado do feto. Os principais nutrientes que merecem atenção, tanto em gestantes vegetarianas como onívoras, são ferro, ácido fólico, cálcio, ômega-3 e, principalmente, a vitamina B12. Com exceção da vitamina B12, todos os outros nutrientes que apresentam maior demanda são alcançados em ambas as dietas. A suplementação de ácido fólico nesse período é recomendada a qualquer gestante, pois, com a demanda aumentada, a alimentação torna-se insuficiente. A importância do ácido fólico, especialmente nos últimos meses que antecedem a gravidez, está relacionada ao adequado fechamento do tubo neural do feto, redução no risco de ruptura placentária e prevenção de doenças respiratórias na infância. Por conta disso, no Brasil instituiu-se, em 2002, a fortificação de farinhas de trigo e milho com ácido fólico como alternativa para aumentar a oferta desse nutriente na dieta. Associada a isso, a alimentação rica em vegetais e leguminosas garante um aporte adequado desse nutriente, não havendo interferência quanto ao tipo de dieta e a recomendação. O ômega 3 é um lipídeo essencial, que deve ser obtido pela alimentação, pois o organismo não o produz. Como o ômega 3 é mais encontrado em alimentos de origem animal, a ingestão de EPA e DHA em onívoros é muito maior, comparado aos ovolactovegetarianos e veganos. Para isso, deve-se realizar um correto planejamento nutricional para que se adeque este lipídeo na alimentação vegetariana, principalmente no período gestacional. O principal efeito do ômega 3 na gestação relaciona-se ao desenvolvimento fetal e ao menor risco de prematuridade. REFERÊNCIAS BAIÃO, Mirian Ribeiro; DESLANDES, Suely Ferreira. Alimentação na gestação e puerpério. Rev. nutr, Campinas, v. 19, n. 2, p. 245-253, mar./abr. 2006. BARBOSA, L; et al. Fatores associados ao uso de suplemento de ácido fólico durante a gestação. Rev Bras Ginecol Obstet, v. 33, n. 9, p. 246-51, jul. 2011. BRASIL. Ministério da Saúde. Resolução RDC nº 344, de 13 de dezembro de 2002. Aprova o regulamento técnico para a fortificação das farinhas de trigo e das farinhas de milho com ferro e ácido fólico. Brasília (DF): Ministério da Saúde; 2002. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Manual instrutivo das ações de alimentação e nutrição na rede Cegonha. Brasília: Ministério da Saúde, 2013. FERREIRA, L. G; BURINI, R. C; MAIA, A. F. Dietas vegetarianas e desempenho esportivo. Rev. Nutr., Campinas, v. 19, n. 4, p. 469-477, Aug. 2006. MIRANDA, D.E.G.A; et al. Qualidade nutricional de dietas e estado nutricional de vegetarianos. Demetra, v. 8, n. 2, p. 163-172, mai. 2013. 2013. PICCIANO, M.F; MCGUIRE, M.K. Use of dietary supplements by pregnant and lactating women in North America. Am J Clin Nutr., v. 89, n. 2, p. 663-667, Jun. 2009. SLYWITCH, E. Ômega 3: a gordura importante. In: SLYWITCH, E. Alimentação sem carne. 2 ed. São Paulo: Alaúde Editorial, 2015. cap. 7, p. 157-174. UNICEF, Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde Promovendo o aleitamento materno Brasil. Ministério da Saúde. Álbum Seriado. 2ª ed. Brasília: 2007. VIANA, D. et al. Ácidos graxos e sua utilização em doenças cardiovasculares: uma revisão. RSC online, Campina Grande, v. 5, n. 2, p. 65-83, jul. 2016.

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