O papel das vitaminas A e D na asma


A asma é considerada uma doença crônica e caracterizada por diversos sintomas respiratórios recorrentes, que pode ser desencadeada por vários fatores, como infecções respiratórias virais, alérgenos ambientais, poluição e alterações climáticas. Vista como um sério problema de saúde global, a asma afeta todas as faixas etárias, com prevalência mundial variando de 1% a 21% em adultos e com até 20% de crianças de 6-7 anos que experimentam episódios graves de sibilância dentro de um ano. Apesar de alguns países terem registrado um declínio nas hospitalizações e mortes relacionadas com asma, a carga global para os doentes de exacerbações e sintomas do dia a dia aumentou em quase 30%, nos últimos 20 anos.

O papel da alimentação está fortemente correlacionado com a melhora do quadro clínico da asma, além de ser considerada uma estratégia de prevenção primária. Com foco na prevenção, as principais recomendações nutricionais para reduzir o risco de uma criança desenvolver asma, segundo a Iniciativa Global para a Asma (GINA), são: incentivo ao aleitamento materno, introdução tardia de sólidos, garantir níveis adequados de vitamina D e garantir um equilíbrio intestinal por meio dos probióticos. O estado nutricional inadequado em alguns nutrientes pode causar alterações na função imune do organismo. E, por sua vez, os mecanismos antioxidantes podem facilitar o início de processos inflamatórios no sistema pulmonar, desta forma, alguns estudos de intervenção têm mostrado resultados mistos.

As duas formas de vitamina D são a vitamina D3 (colecalciferol), formada na pele, após a exposição solar, e a vitamina D2 (ergocalciferol), obtida pela irradiação de plantas e alimentos. Os sintomas mais comuns da sua deficiência estão relacionados com as desordens do metabolismo ósseo, doenças inflamatórias, doenças infecciosas, alterações da função cognitiva e desequilíbrio imunológico. A vitamina D, ainda, participa do desenvolvimento e da maturação do pulmão durante o desenvolvimento fetal e pode ser útil no tratamento e na prevenção da asma. Um estudo realizado em 560 escolas verificou que crianças com níveis insuficientes de vitamina D (<30mcg/ ml) tiveram um risco 26% mais elevado para apresentar um ou mais exacerbações da sua doença no ano anterior. Além disso, foi também observado que o risco diminui pela metade em crianças quando a mãe ingere adequada quantidade de vitamina D na gravidez.

Como a asma é provocada por uma inflamação brônquica, nutrientes antioxidantes, como a vitamina A, estão envolvidos na resposta imune do corpo e podem ter um papel importante no aparecimento e na gravidade da asma.

Uma revisão sistemática, e meta-análise, reuniu adultos e crianças e foi observada uma menor ingestão diária de vitamina A em pacientes asmáticos adultos do que nos controles, como menores níveis de soro em crianças asmáticas que controles saudáveis. Neste contexto, em outra revisão sistemática e meta-análises realizadas em crianças em situação de risco, foi observado 25% menos risco de desenvolver asma em crianças com maior consumo vitamina A do que naquelas com menores consumos dessa vitamina. Além disso, quando se comparam doentes com asma grave se verifica o baixo consumo dessa vitamina e níveis séricos inferior do adequado. Em vista desses resultados e dada a falta de ensaios clínicos randomizados e controlados (RCT) feita com a vitamina, seria necessário realizar mais estudos para testar a sua eficácia em prevenção e tratamento da doença.

REFERÊNCIAS

CABRAL, A. L. B. et al. Fenótipos de asma em crianças e adolescentes de baixa renda: análise de agrupamentos. Jornal Brasileiro de Pneumologia, v. 43, n. 1, p. 44-50, 2017.

REDDEL, H. K. et al. A summary of the new GINA strategy: a roadmap to asthma control. European Respiratory Journal, v. 46, n. 3, p.622-639, 2015.

RODRÍGUEZ, R.E. et al. Influencia del estado nutricional sobre el padecimiento de asma en la población. Nutrición Hospitalaria, v. 33, n. 4, p. 63-67, 2016.

PASCHOAL, V. et al. Suplementação Funcional Magistral: dos nutrientes aos compostos bioativos. In: Coleção nutrição clínica funcional. VP Editora, 2009.

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