Probióticos e fibras na doença cardiovascular

August 1, 2017

As doenças cardiovasculares (DCV) são a principal causa de morte no mundo. No Brasil, representam cerca de 30% dos óbitos. Anualmente, mais pessoas morrem por essas doenças do que por qualquer outra causa, quando comparadas com o câncer, por exemplo, as DCV matam duas vezes mais que todos os tipos de câncer. Desses óbitos, estima-se que 7,4 milhões tenham acontecido devido às doenças coronarianas, seguindo por 6,7 milhões devido a acidentes vasculares encefálicos (AVE), sendo que 3/4 das mortes por doenças cardiovasculares ocorrem em países de baixa e média renda.

 

A Organização Mundial da Saúde constituiu como meta a diminuição de 25% das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), entre elas, as doenças cardiovasculares, até o ano de 2025. Considerando que a maioria das doenças cardiovasculares pode ser prevenida nas populações por meio da abordagem de fatores de risco comportamentais – como o tabagismo, dietas inadequadas, sobrepeso e obesidade, sedentarismo e uso excessivo de álcool, são de suma importância as ações de prevenção primária e secundária como forma de medidas preventivas. Além disso, o controle adequado e sistematizado de outros fatores de risco, como hipertensão arterial, diabetes melito e dislipidemias, é fundamental para o diagnóstico e tratamento precoce das DCV.

 

Uma dieta equilibrada, associada ao exercício físico, tem sido vista como fator essencial para o equilíbrio do organismo e a prevenção de DCV. Nutrientes, como fibras e probióticos, têm sido destaque em alguns estudos por suas ações. As fibras alimentares atuam reduzindo a absorção de colesterol sérico devido às suas características físico-químicas, que conferem propriedades viscosas ao conteúdo luminal. Especificamente, os dados epidemiológicos sugerem uma relação de proteção entre o consumo de fibra alimentar e o risco para DCV, também, pela diminuição da pressão sanguínea e os níveis de biomarcadores de inflamação.

 

Os fruto-oligossacarídeos (FOS) e a polidextrose possuem alegação de propriedade funcional aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Os FOS têm demonstrado contribuir na diminuição da glicemia e na hiperinsulinemia, fatores associados às DCV. Os probióticos são classificados como microrganismos vivos, administrados em quantidades adequadas, que conferem benefícios à saúde do hospedeiro. O consumo de alimentos probióticos à base L. acidophilus mostrou reduzir marcadores inflamatórios, também, associados às DCV. Estudos clínicos vêm sendo realizados para levantar as possíveis funções dos probióticos, entre elas a ação hipocolesterolêmica, com possível redução na concentração de triglicerídeos (TG) e LDL-colesterol plasmático, bem como o aumento de HDL-colesterol sérico.

 

Ainda são necessários mais estudos que comprovem os benefícios das fibras e dos probióticos nas DCV, bem como o uso específico desses compostos para as diversas patologias em que se defende o uso desses alimentos.

 

REFERÊNCIAS

RICARDO, M. R.; WOLNEY, A. M. Manual de prevenção cardiovascular. Rio de Janeiro: SOCERJ - Sociedade de Cardiologia, 2017. 


ALVES, C. G. S.; GUIMARÃES, T. A.; GONTIJO, L. S. Doenças cardiovasculares e fatores de risco. Abordagem preventiva. EFDeportes, Buenos Aires, v. 17, n. 172, 2012.

 

PASCHOAL, V. Suplementação funcional magistral: dos nutrientes aos compostos bioativos. São Paulo: Valeria Paschoal, 2008. 

SIMÃO, A. F. et al. I Diretriz Brasileira de Prevenção Cardiovascular. Arq Bras Cardiol., São Paulo, v. 101, n. 6, supl. 2, p. 1-63, 2013.

 

GROOMS, K. N. et al. Dietary fiber intake and cardiometabolic risks among US adults, NHANES 1999-2010. Am J Med., New York, v. 126, n. 12, p. 1059-1067, 2013.

 

AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). IX - Lista de alegações de propriedade funcional aprovadas. Disponível em: <http://www.anvisa.gov.br/alimentos/comissoes/tecno_lista_alega.htm>. Acesso em: 14 mar. 2016.

MODANÊSI, P. V. G.; MERCER, N. S.; BERNARDI, J. F. B. Efeitos do uso de probióticos na hipercolesterolemia. Revista de Pesquisa em Saúde, v. 17, n. 1, 2016.
 

 

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