Vitamina D e cálcio na senescência

A prevalência de indivíduos idosos em relação a indivíduos jovens compreende um quadro comum na população. As estimativas indicam que, em 2050, aproximadamente 22% da população mundial serão constituídos por indivíduos idosos. Esse quadro traz enormes implicações para a sociedade, considerando-se que a senescência está fortemente relacionada ao surgimento de doenças infecciosas, crônicas, neurodegenerativas e cardiovasculares. Ainda, além das alterações biológicas normais do envelhecimento, o desenvolvimento dessas doenças também está associado à resposta imunológica dos idosos.

A nutrição pode colaborar de forma efetiva para a promoção da saúde do idoso por meio de uma alimentação equilibrada e/ou uma suplementação adequada. Nutrientes como o cálcio e a vitamina D participam de diversas reações metabólicas no organismo e podem auxiliar a garantir mais saúde para essa fase da vida.

Baixos níveis de vitamina D têm sido associados ao risco de infecções, câncer de colón, de mama e de próstata, doenças inflamatórias e autoimunes, como diabetes melito, intestinal e esclerose múltipla. Entre suas principais funções, está atuar no metabolismo do cálcio, pois sua forma ativa 1,25 (OH) D estimula a transcrição gênica dos receptores de ligação do cálcio e da osteocalcina, estimula a absorção de cálcio, diminui a secreção de PTH, a reabsorção óssea e a atividade dos osteoblastos, influencia a função muscular e secreção de insulina e, ainda, estimula a diferenciação celular e o sistema imune.

Com relação ao sistema imune, a vitamina D interage com ele a partir de sua ação sobre a regulação e a diferenciação de células como linfócitos, macrófagos e células natural killer (NK), além de interferir na produção de citocinas in vivo e in vitro. Possui efeito imunomodulador que atua na diminuição da produção de interleucina-2 (IL-2), do interferon-gama (INFγ) e do fator de necrose tumoral (TNF); inibição da expressão de IL-6 e inibição da secreção e produção de autoanticorpos pelos linfócitos B. A deficiência de vitamina D tem sido encontrada em pacientes que desenvolvem artrite reumatoide, alguns dados indicam níveis na corrente sanguínea menores que 50mmol/l. Nesses casos, a suplementação com altas doses (vitamina D sintética) mostrou uma redução da gravidade dos sintomas.

O cálcio, entre suas principais ações, está a de agir na prevenção da osteoporose e osteopenia, a regulação da pressão arterial (através da bomba de cálcio e sódio extracelular). O aumento da pressão arterial está relacionado com o aumento de cálcio intracelular, do PTH e da excreção urinária de cálcio. A absorção de cálcio é determinada pela ingestão e capacidade de absorção intestinal, dependente de vitamina D e da absorção não saturável intercelular, que é dependente da concentração de cálcio intraluminal, portanto, neste caso, há interferência de fatores na luz intestinal, assim, aumentando ou diminuindo a absorção. Considerando que há uma relação de interação dos nutrientes, a deficiência de cálcio leva a um desequilíbrio entre os níveis de cálcio, magnésio e fósforo, o que, entre outras complicações, colabora para a queda do sistema imunológico, tornando o organismo mais susceptível a inflamações.

A deficiência de micronutrientes e a desnutrição energético-proteica constituem-se em um problema comum no envelhecimento, assim, é de suma importância que os profissionais da área da saúde busquem estratégias para a promoção da saúde do idoso e garantam a sua qualidade de vida. REFERÊNCIAS

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