O papel do ômega-3 no déficit de atenção


Existem, hoje, aproximadamente 5 a 8% de crianças com distúrbios comportamentais como o déficit de atenção, no Brasil, seja por motivos conhecidos ou não. Uma das causas conhecidas é o parto prematuro, que está associado a deficits corticais fetais de DHA, em que crianças e adolescentes nascidos pré-termos apresentam deficits em maturação da matéria cinzenta cortical, deficits neurocognitivos, particularmente, no campo da atenção, e aumento do risco de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e esquizofrenia.

Estudos realizados com crianças nascidas pré-termos e atermos, cuja mãe foi suplementada com DHA, apresentaram resultados positivos, assim, sugerindo que os deficits de DHA perinatais no cérebro podem representar um fator de risco no desenvolvimento neurológico, contribuindo para o surgimento posterior de psicopatologias.

Outras pesquisas apontam, também, que a intervenção com ácidos graxos poli-insaturados ômega-3 pode ser efetiva na minimização dos sintomas sem efeitos colaterais. Além disso, eles são nutrientes essenciais para a saúde e também são responsáveis por algumas funções corporais.

Um estudo controlado, randomizado, para determinar os efeitos de um óleo rico em EPA e um óleo rico em DHA versus um óleo de cártamo em crianças de 7 a 12 anos, com distúrbio de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH), mostrou que o aumento no conteúdo de DHA eritrocitário se associou à melhora na capacidade de leitura e no comportamento de oposição. Além disso, maiores níveis de EPA e LCPUFAs n-3 foram associados à diminuição da ansiedade/timidez, consequentemente, notou-se melhorias na alfabetização e no comportamento em crianças com TDAH.

Embora muitos estudos apontem a eficácia da suplementação com EPA e DHA, a dosagem para que se tenha resultados ainda não foi definida. Alguns estudos demonstram que a proporção ideal de ômega-6 e ômega-3 seja de 4:1. Outros estudos que não utilizaram o placebo mostraram que altas doses de EPA e DHA revelaram benefícios terapêuticos evidentes.

Portanto, uma ingestão adequada desses ácidos graxos deve ser garantida durante a gestação, lactação e infância, e a suplementação com LCPUFAs n-3 deve ser considerada quando a ingestão dietética não é suficiente para que os sintomas da TDAH possam ser amenizados.

REFERÊNCIAS

GRASSMAN, V. et al. Efeitos de baixas doses de ácidos graxos poli-insaturados no transtorno de déficit de atenção / hiperatividade de crianças: uma revisão sistemática. Instituto Nacional de Saúde. v. 11, n. 2, p. 186-196, 2013.

HERNÁNDEZ, R. Omega 3 y neurodesarrollo. Canarias pediátrica mayo, v. 30, n. 2, p. 99-102, 2015.

MITLE, C.M. et al. Eicosapentaenoic and docosahexaenoic acids, cognition, and behavior in children with attention deficit/ hyperactivity disorder: a randomized controlled trial. Nutrition. v. 28,n. 7, p. 670 677, 2012.

RIBEIRO, B. Estudo dos efeitos neuroprotetores do ômega-3, liraglutide, risperidona e clozapina em um modelo neuroinflamatório induzido por poly I:C em cultura primária de celulas hipocampais. Tese (Doutorado), Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2015.

SORGI, P.J. et al. Efeitos de um estudo piloto aberto com alta dose de EPA / DHA concentrados em fosfolípidos plasmáticos e comportamento em crianças com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Nutr J. v. 13, n. 3, p. 6-16, 2007.

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