Nutrição no transtorno do espectro autista


O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é caracterizado pela desordem neurológica e comunicativa que, em sua totalidade, atinge áreas de cognição, fala, interação social e desenvolvimento neuropsicomotor. A criança que tem autismo apresenta um perfil irregular de desenvolvimento.

Normalmente, nos primeiros dois anos de vida, a criança experimenta uma gama de alimentos, texturas e sabores diferenciados. Já as crianças portadoras do espectro autista são muito mais seletivas e resistentes ao novo e costumam criar um bloqueio a essas novas experiências alimentares. Acredita-se que o comportamento repetitivo e o interesse restrito tenham um papel importante na seletividade dietética, podendo levar a casos de sobrepeso e obesidade ou até mesmo baixo peso e desnutrição energético-proteica.

O estado nutricional do autista não depende somente da qualidade da ingestão alimentar, mas, também, da eficácia dos processos fisiológicos e metabólicos do corpo em absorver e aproveitar aquele nutriente. Nesse caso, pode acontecer, frequentemente, o aporte inadequado de micronutrientes, visto que há uma associação de possíveis desequilíbrios metabólicos com recusa alimentar, e, por conseguinte, necessidade maior de vitaminas e minerais (CARVALHO, 2012).

Existe, também, alteração metabólica direcionada para a importância de alguns nutrientes da alimentação do paciente autista que se deve, principalmente, à detecção de elevados níveis de algumas substâncias no sangue dos pacientes, que são: gluteomorfina e caseomorfina, peptídeos derivados da proteína do glúten e da caseína, respectivamente, e são similares aos opioides. Os opioides podem ter ações adversas no sistema nervoso central, tais como redução do número de células nervosas do sistema nervoso central e inibição de alguns neurotransmissores.

Estudos relatam que indivíduos autistas que aderiram a uma dieta isenta de caseína e glúten apresentaram melhora dos sintomas (SILVA, 2009). Assim, a terapia nutricional específica voltada para o paciente autista torna-se um dos primeiros pontos a ser discutido como tratamento. Com a eliminação padronizada e controlada dos alimentos que promovem a formação das substâncias similares aos opiodes da dieta desses pacientes, percebe-se melhora significativa na sociabilidade e comunicação, bem como uma redução dos efeitos de abstinência desses compostos.

O tratamento para a diminuição dos sintomas do autismo deve ser multidisciplinar e constante. Lembrando que todos os tratamentos nutricionais devem ser individuais, assim, levando em consideração as características de cada indivíduo.

REFERÊNCIAS

CARVALHO. J. et al. Nutrição e autismo: considerações sobre a alimentação do autista. Revista Científica do ITPAC, v. 5, n. 1, p. 1-7, jan. 2012.

ADAMS, J.B. et al. Effect of a vitamin/mineral supplement on children and adults with autism. Bmc Pediatrics, v. 11, n. 1, p.111-121, dez. 2011.

SILVA, M. et al. Diagnosticando o transtorno autista: aspectos fundamentais e considerações práticas. Psicologia ciência e profissões. v. 29, n. 1, p. 116-131, 2009.

KUMMER, A., et al. Frequência de sobrepeso e obesidade em criancas e adolescentes com autismo e transtorno do déficit de atenção/hiperatividade. Revista paulista de pediatria, v. 1, n. 34, p. 71-77, 2016.

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