A importância da detoxificação hepática


Detoxificação ou biotransformação hepática é qualquer processo realizado pelo organismo que busque a eliminação ou redução da atividade de substâncias xenobióticas, classificadas como composto químico ou molécula estranha ao organismo, originadas externa ou internamente, desde que não possuam papel fisiológico conhecido. Quando sua origem é interna, podem ser provenientes de erros inatos do metabolismo, desequilíbrio metabólico, seja por polimorfismo genético ou fatores ambientais e microbiota intestinal. Já de origem externa, existem mais de 4 milhões de compostos químicos tóxicos originários de medicamentos, aditivos alimentares, agrotóxicos de forma geral, poluentes de ar, migrantes de embalagens e até mesmo produtos químicos usados em casa.

A detoxificação ocorre em todas as células do organismo, mas, principalmente, nas do fígado e intestino. As reações de detoxificação dão-se por um processo dividido em três fases. Na fase I, ocorre a biotransformação, realizada por várias enzimas hepáticas e extra-hepáticas, como o citocromo P450, que, sem dúvida, é o principal sistema enzimático responsável por esse processo.

As reações realizadas por essas enzimas são de oxidação, hidrólise ou redução, sendo a toxina preparada para a reação de conjugação, conhecida como fase II.

As reações da fase II são realizadas pelas enzimas sintetases e transferases, que acontecem em duas fases e têm por objetivo transformar as toxinas em moléculas possíveis de excreção, hidrossolúveis e também de neutralizar sua possível reatividade. Já na última fase, a III, o metabólito (ex-toxina) já pode ser excretado e será transportado, para circulação, fora da célula.

Evidências já confirmam que a nutrição pode influenciar de forma determinante o processo de detoxificação, podendo-se observar pela própria bioquímica envolvida no processo. O citocromo P450 é uma hemeproteína, sendo necessário disponibilidade do grupo heme para que seja sintetizado, além disso, para sua síntese, vários nutrientes são importantes, como cobre, zinco, vitaminas A, B1, B2, ferro, etc.

Alguns alimentos e seus fitoquímicos permitem a modulação de enzimas que atuam no processo de detoxificação, dessa forma, agindo também na prevenção de doenças crônico-degenerativas. Entre os alimentos mais utilizados estão as brássicas – fontes de glicosinolatos. Um estudo demonstrou que uma dieta enriquecida com couve-de-bruxelas (150g) e repolho (100g), em apenas uma semana, consegue acelerar a fase II estimulando a conjugação de paracetamol com ácido glicurônico.

As cascas de limão e laranja parecem auxiliar o processo, pois contêm óleos essenciais com monoterpenos, que agem no aumento da conjugação da glutationa e ácido glicurônico, inibição da CYP 2E1 e aumento da CYP 2C e tumorigênese. Outros alimentos, como alecrim, cúrcuma, chá-verde, alho, própolis e os flavonoides isolados: quercitina e rutina, também, são citados.

São necessários mais estudos envolvendo o aprofundamento sobre como alimentos e compostos bioativos maximizam o processo de detoxificação.

REFERÊNCIAS

PASCHOAL, V.; NAVES, A.; FONSECA, A. B. B. L. Nutrição clínica funcional dos princípios a prática clínica. São Paulo: VP, 2013.

CARREIRO, D. M. Entendendo a importância do processo alimentar. 4. ed. São Paulo: Vida e Consciência, 2012.

BLAND, J. S. et al. Clinical Nutrition: A Functional Approach. Gig Harbor, WA: Institute of Functional Medicine, 2004.

DAVID, A. W.; THOMAS. Os princípios de química medicinal de LL Foye. Lippincott Williams & Wilkins, Philadelphia, v. 48, 2002.

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