Dieta, estresse e obesidade


O estilo de vida atual pouco saudável está associado à modernização e industrialização, em que se atingiu um enorme consumo de alimentos processados, aumento do sedentarismo, exposição a diversas toxinas e estresse psicológico. O estresse pode ser definido como um estado de desequilíbrio do organismo desencadeado pelos estressores, regulado por uma complexa interação fisiológica e comportamental que tem por objetivo restabelecer o equilíbrio.

A exposição crônica ao estresse pode impactar diversas funções fisiológicas, como o crescimento, a reprodução e a imunocompetência, bem como o desenvolvimento da personalidade e do comportamento. Ainda pode desencadear doenças como obesidade, pois o estresse crônico é capaz de aumentar a produção de cortisol e catecolaminas.

A obesidade é definida como uma acumulação anormal ou excessiva de gordura e que pode causar complicações à saúde. O excesso de peso é o quinto principal risco de morte em âmbito mundial, sendo que pelo menos 2,8 milhões de adultos morrem todos os anos como resultado dessa condição, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A relação entre estresse, adiposidade, aumento de peso e Índice de Massa Corporal parece ainda ser mais forte entre indivíduos com ingestão compulsiva, fenômeno este que também tem sido associado ao estresse. Existe evidência de que níveis elevados de estresse estão associados não só a um maior desejo por alimentos de elevada palatabilidade e densidade energética, mas, também, a uma menor prática de exercício físico.

O cortisol, juntamente com a insulina, aumenta a diferenciação das células estromais adiposas em adipócitos, ativando a lipase das lipoproteínas e facilitando a lipogênese; por sua vez, o cortisol aumenta a atividade da 11β-desidrogenase dos hidroxiesteroides 1, sendo essa conversão de cortisona em cortisol mais elevada no tecido adiposo visceral em comparação com o subcutâneo, o que pode explicar a ação específica dos glicocorticoides nos diferentes depósitos de tecido adiposo.

Tal acontecimento apresenta similaridades com a Síndrome de Cushing: pois mostram a mesma distribuição de gordura corporal, resistência à insulina e outros aspetos da síndrome metabólica, apesar de os estudos serem controversos ao mostrar aumento ou diminuição da ingestão alimentar com o estresse, tendo em conta a fartura de alimentos de elevada densidade energética nas sociedades desenvolvidas ocidentais, é compreensível que os indivíduos tendam a ter um comportamento de ingestão alimentar aumentada pelo estresse.

Dessa forma, um tratamento multidisciplinar torna-se indicado, pois, mediante orientação e tratamento psicológico, médico e nutricional, é possível amenizar os efeitos do estresse e reduzir o risco do desenvolvimento da obesidade.

REFERÊNCIAS

GLUCK, M. E. et al. Cortisol, hunger, and desire to binge eat following a cold stress test in obese women with binge eating disorder. Psychosomatic Medicine, v. 66, n. 6, p. 876-881, 2004.

NG, D. M.; JEFFERY, R. W. Relationships between perceived stress and health behaviors in a sample of working adults. Health Psychology, n. 22, n. 6, p. 638, 2003.

KYROU, I.; TSIGOS, C. Chronic stress, visceral obesity and gonadal dysfunction. Hormones, v. 7, n. 4, p. 287-93, 2008.

NAVES, A. Nutrição clínica funcional: obesidade. In: COLEÇÃO nutrição clínica funcional. São Paulo: VP, 2009.

MELIM, D.; PINHÃO, S.; CORREIA, F. Stresse e sua relação com a obesidade, v. 19, n. 3, 2013.

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