Uso de protetor solar e deficiência de vitamina D


A vitamina D é, na verdade, um dos hormônios (ou precursor hormonal, mais exatamente) mais antigos de que o homem tem registro, sendo sua existência estimada em 750 milhões de anos. As duas formas são: ergocalciferol, ou vitamina D2, que está presente em plantas e alguns peixes; e colecalciferol, ou vitamina D3, que é sintetizada na pele através da exposição solar a partir da via fotoconversão da pró-vitamina D3 em pré-vitamina D3, que é convertida no fígado em 25-hidroxivitamina D3, que é a maior forma de vitamina D. Nos rins, é convertida em 1,25-di-hidroxivitamina D3, que é 10 vezes mais potente que a vitamina D3, e em 24, 25-di-hidroxivitamina D3, que parece exercer funções fisiológicas, que necessitam ser melhor pesquisadas. Uma das principais funções da vitamina D é atuar no metabolismo do cálcio, pois sua forma ativa (1,25 (OH)2D) estimula a transcrição gênica dos receptores de ligação do cálcio e da osteocalcina, além disso, estimula a absorção de cálcio, diminui a secreção de PTH, a reabsorção óssea e a atividade dos osteoblastos. Também, age na redução da produção de colágeno tipo I, possui influência na função muscular, estimula a diferenciação celular e o sistema imune e age influenciando a secreção de insulina.

Sua deficiência pode ocorrer por vários fatores, um deles é a limitação para sua conversão, que pode ocorrer devido à idade, à pigmentação da pele (negros sintetizam menos vitamina D), ao protetor solar e aos vestuários, à poluição e localização do país se distante da linha do Equador.

A proteção solar é amplamente recomendada em todo o mundo a fim de evitar melanoma e outros tipos de cânceres de pele. Grandes referências, como a Organização Mundial da Saúde, a Academia Americana de Dermatologia e a American Medical Association, aconselham as pessoas a usarem acessórios de proteção (como roupas, chapéus e óculos de sol), a evitarem a exposição solar em horas de maior incidência de radiação e a usarem protetor solar de amplo espectro FPS ≥ 30 indiscriminadamente. No entanto recentes descobertas sobre os benefícios da vitamina D postulam que a proteção solar rigorosa pode impactar negativamente na saúde, reduzindo a vitamina D a concentrações abaixo do ideal.

Existem, ainda, muitas controvérsias sobre a “exposição solar saudável” (como o horário do dia, principalmente), assim como sobre o uso do protetor solar, que gera discussões sobre “quando”, “como” e “quanto” utilizar e, até mesmo, a respeito possíveis adversidades relacionadas ao seu uso, como toxicidade sistêmica e deficiência de vitamina D. O uso de filtro solar reduz a produção de vitamina D em condições estritamente controladas, não estando claro, até então, se resultados semelhantes seriam encontrados em situações de uso comum do produto.

A deficiência e insuficiência de vitamina D têm sido muito prevalentes na população em geral, suas altas taxas atribuem-se, principalmente, às mudanças de estilo de vida, como diminuição da exposição ao sol, o uso de roupas de proteção e protetor solar, e às mudanças na alimentação, ao longo das últimas décadas. É sabido que crianças e adolescentes têm alto risco de deficiência de vitamina D, especialmente, em latitudes elevadas e no final do inverno. Todavia dados recentes demonstraram significativa prevalência de deficiência de vitamina D em todo o mundo, incluindo alguns países com climas quentes.

Visto a importância da vitamina D no organismo, sua deficiência deve ser evitada a partir da ingestão de alimentos ricos em vitamina D e, se necessário e recomendado por um profissional da saúde, sua suplementação em pessoas que apresentam baixos níveis desse nutriente. Ainda se faz necessária a realização de mais estudos que avaliem a influência do uso do protetor solar na síntese de vitamina D3.

REFERÊNCIAS

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ENGELSEN, O. The relationship between ultraviolet radiation exposure and vitamin D status. Nutrients, v. 2, n. 5, p. 485-495, 2010.

FLETCHER, R. H.; FAIRFIELD, K. M. Vitaminas para prevenção de doenças crônicas em adultos: aplicações clínicas. Jama, v. 287, n. 23, p. 3127-3129, 2002.

CHRISTAKOS, S. et al. Vitamina D: metabolismo. Endocrinologia e clínicas de metabolismo da América do Norte, v. 39, n. 2, p. 243, 2010.

ØSTERGÅRD, M. et al. Vitamin D status in infants: relation to nutrition and season. European journal of clinical nutrition, v. 65, n. 5, p. 657, 2011.

BRAGA, L. S. Uso de protetor solar e deficiência de vitamina D na infância e adolescência: uma revisão sistemática. 2014.

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