Câncer e alimentação: qual a relação?



De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), câncer é o nome dado a um conjunto de mais de cem doenças que têm em comum o crescimento desordenado (maligno) de células que invadem os tecidos e órgãos, podendo espalhar-se (metástase) para outras regiões do corpo.


Segundo o documento "World cancer report 2014" da International Agency for Research on Cancer (Iarc), da Organização Mundial da Saúde (OMS), é inquestionável que o câncer é um problema de saúde pública, especialmente, entre os países em desenvolvimento, onde é esperado que, nas próximas décadas, o impacto do câncer na população corresponda a 80% dos mais de 20 milhões de casos novos estimados para 2025. Entre os tipos de câncer mais incidentes no mundo estão os de pulmão, mama, intestino e próstata.


A origem do câncer é multifatorial, com fatores genéticos, ambientais, clínicos e de estilo de vida, o que inclui a dieta. E isso porque os componentes alimentares podem alterar eventos celulares, e estes, por sua vez, podem influenciar e modificar as respostas aos componentes bioativos. Alimentos como frutas, verduras e legumes podem exercer efeito protetor contra diversos tipos de câncer, como os antioxidantes, compostos que atuam na inibição de radicais livres, assim, promovendo integridade na membrana das células, sendo indicado o consumo médio de cinco porções ou 400g/dia desses alimentos.


O consumo adequado de fibras alimentares revela relação inversa com a incidência de câncer do intestino. Os mecanismos implicados nesse processo relacionam-se, sobretudo, em função de suas propriedades, que auxiliam a excreção dos ácidos biliares e compostos carcinógenos, além de participarem com a produção de ácidos graxos de cadeia curta, como o ácido butírico, que pode inibir o crescimento de células malignas.


Já a ingestão elevada de gorduras tem mostrado correlação com o maior risco de desenvolvimento de câncer de cólon e reto, pois há aumento na produção de ácidos biliares, que podem atuar como compostos mutagênicos e citotóxicos. Semelhantemente, o elevado consumo de carnes vermelhas processadas, também, tem sido implicado no aumento do risco de desenvolver câncer colorretal devido à ingestão indiscriminada de conservantes, como os nitritos, que são fatores carcinogênicos.


A nutrigenômica é um estudo que tem crescido e objetiva estabelecer nutrição personalizada com base no genótipo a fim de promover saúde e diminuir o risco de doenças crônicas. E, visto que o câncer possui influência genética e dietética, a nutrigenômica mostra-se como uma ferramenta promissora de prevenção e coadjuvante no tratamento da doença, pois as recomendações nutricionais passam a ser individualizadas a partir das características genéticas.


REFERÊNCIAS


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