O papel da nutrição na endometriose

February 15, 2018

 

A endometriose é uma condição inflamatória crônica e hormônio-dependente caracterizada pela presença de estroma e glândulas endometriais em locais fora da cavidade uterina, comumente, na pelve, acometendo quase exclusivamente mulheres em idade reprodutiva na faixa de 25 e 29 anos. Sua prevalência é de difícil determinação em razão das limitações intrínsecas aos sistemas de saúde e métodos diagnósticos.

 

Existem três teorias para se explicar a fisiopatologia da endometriose: A primeira é a metaplasia celômica, que assevera que as células endometriais e peritoniais derivam da mesma superfície, no que é contraditoria, pois, se assim fosse, homens também poderiam apresentar a doença. A segunda teoria relata que o transporte de células endometriais uterinas para outras regiões de vários mecanismos, como o linfático ou vascular, à disseminação iatrogênica e a menstruação retrograda. Já a terceira, a teoria da indução, combina as duas primeiras defendendo que o derramamento de substâncias desconhecidas do endométrio pode induzir a formação de tecido endometrial a partir de células mesenquimais indiferenciadas.    

 

Seu diagnóstico é dado por avaliação médica que comumente solicita exames, como ultrassonografia transvaginal, CA – 125, sendo confirmada histologicamente. O impacto da endometriose na infertilidade é certo, mas pode variar, sendo que, na endometriose mínima, encontra-se a redução do desenvolvimento oocitário, da embriogênese e da implantação embrionária, na leve, os ovários têm implantes superficiais com poucas aderências finas, na moderada, ocorre a obliteração parcial do fundo de saco, implantes profundos nos ovários e as trompas e os ovários são comprometidos por aderências finas ou densas. Já na classificada grave, apresenta obliteração do fundo de saco, endometriomas bilaterais > 3cm, envolvimento aderencial total de um anexo, endometrioma >3cm unilateral com >2/3 aderência.

 

Seu tratamento é feito a partir de medicações e/ou intervenções cirúrgicas, porém estudos têm apontado que alimentos e nutrientes influenciam a patogênese e progressão da doença, sendo aconselhada uma reeducação alimentar como ferramenta promissora na prevenção e no tratamento da endometriose.    

 

Em relação ao papel das vitaminas na origem da endometriose, um estudo recente mostrou que a administração de antioxidantes reduziu a dor pélvica crônica, dismenorreia (dor menstrual), dispareunia (dor no ato sexual) em 43%, 37% e 24%, respectivamente. A ação da vitamina D em doenças ginecológicas, tais como endometriose, tem sido estudada devido ao seu papel na inflamação, no sistema imunológico e na expressão de receptores no tecido endometrial, o que justifica sua associação à endometriose. O papel da dieta na etiologia e tratamento da endometriose é de suma importância, porém se destaca a presença de poucos estudos científicos em humanos que suportam essas informações. Nesse sentido, é relevante o acompanhamento nutricional a pacientes portadoras de endometriose.

 

REFERÊNCIAS

 

CACCIATORI, F. A.; MEDEIROS, J. P. F. Endometriose: uma Revisão da Literatura. Revista de Iniciação Científica, v. 13, n. 1, 2015.

 

PORFÍRIO, G. P. et al. O papel da dieta na etiologia da endometriose. Braspen J, v. 32, n. 2, p. 183-188, 2017.

 

NAVES, A. Nutrição clínica funcional: modulação hormonal. São Paulo: VP, 2010. (Coleção Nutrição Clínica Funcional).

 

HWANG, A. et al. Risk factors for ectopic pregnancy in the Taiwanese population: a retrospective observational study. Archives of gynecology and obstetrics, v. 294, n. 4, p. 779-783, 2016.

 

SANTANAM, N. et al. Antioxidant supplementation reduces endometriosis-related pelvic pain in humans. Transl Res., v. 161, n. 3, p. 189-95, 2013.

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