Obesidade e Saúde intestinal: uma relação de causa-consequência.

March 8, 2018

 

A relação entre o ganho de peso progressivo e a saúde do intestino é cada vez mais comprovada em recentes estudos. O intestino humano abriga cerca de trilhões de bactérias, sendo dez vezes maior do que a quantidade de células em todo o corpo. O microbioma intestinal é composto por uma massa estimada de um quilo de bactérias, chegando a compor cerca de 50% da massa fecal com organismos que apresentam estrutura genômica bastante diferenciada. Esse ecossistema integra o mecanismo de homeostase corporal, de modo que distúrbios da microbiologia intestinal estão implicados em diversos aspectos na gênese da saúde e da doença e, principalmente, nas alterações de peso.

 

O intestino é o maior órgão endócrino do organismo, sendo que novas evidências comprovam a atuação dos hormônios produzidos via intestinal no comportamento alimentar, evidenciando possíveis estratégias para combater a epidemia da obesidade.

 

Os sinais que determinam o comportamento alimentar são complexos e diferenciados. Diversos peptídeos produzidos no ambiente intestinal podem regular a ingestão alimentar por meio da comunicação do cérebro com o sistema nervoso entérico e células enteroendócrinas da mucosa do trato gastrointestinal (TGI).

 

Com relação à saciedade, os sinais chamados de periféricos necessitam estar integrados com o sistema nervoso central, sobretudo, com o hipotálamo, para garantir a homeostasia energética de forma eficiente. Após a ingestão alimentar, os nutrientes atravessam o estômago para o intestino e diversos sinais gastrointestinais são liberados. Estes peptídeos atuam na otimização do processo digestório e em alguns sinais de saciedade no curto prazo, capazes de regular o peso corporal. 

 

Evidências publicadas na revista Nature mostraram que o desequilíbrio na composição da microbiota não está associado apenas a uma maior suscetibilidade a infecções e desordens imunológicas, mas, também, ao desenvolvimento da obesidade e disfunções no metabolismo, como resistência à insulina e dislipidemias. É importante ressaltar que o fenótipo da obesidade parece ser transmissível. Um estudo feito com a transferência de amostras da microbiota intestinal de ratos obesos para ratos magros resultou em um notável aumento de gordura corporal dentro de 10 a 14 dias.

 

Além disso, existe uma forte comunicação da microbiota com o sistema imune graças ao aumento da resposta imunológica inata e ao controle da inflamação, por meio das vias reguladas pelos receptores Toll-like receptors (TRL). A nutrição e o metabolismo das bactérias são responsáveis pela fermentação de alimentos a partir da produção de ácidos graxos de cadeia curta e peptídeos antimicrobianos, que inibem o crescimento de microrganismos patogênicos e reduzem a inflamação gerada pelo excesso de gordura corporal.

 

REFERÊNCIAS

 

ANDRADE, V. et al. Obesidade e microbiota intestinal. Rev Med Minas Gerais, v. 25, n. 4, p. 583-589, 2015.

 

FLEISSNER C.K. et al. Absence of intestinal microbiota does not protect mice from diet-induced obesity. Br J Nutr., v. 104, n. 6, p. 919-29, 2010.

 

KARLSSON, C.L.J. et al. The Microbiota of the gut in preschool children with normal and excessive body weight. Obesity, v. 20, p. 2257-61, 2012.

 

NAVES, A. Nutrição Clínica Funcional: Obesidade. São Paulo: Valeria Paschoal Ltda., 2009. 384 p.

 

PASSOS, M.; MORAES-FILHO, J. Intestinal microbiota in digestive diseases. Arq. Gastroenterol., São Paulo, v. 54, n. 3, p. 255-262, July. 2017.

 

SCHWIERTZ, A. et al. Microbiota and SCFA in Lean and Overweight Healthy Subjects. Obesity, v. 18, n. 1, p. 190-5, 2010.

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