O atual ambiente obesogênico e o termo “overfat” colocado em pauta



Os hábitos e as práticas alimentares são construídos com base em determinações socioculturais, dessa forma, as escolhas de compra e consumo de alimentos não podem ser estudadas sem realizar uma análise ambiental do indivíduo, incluindo a influência de alguns fatores específicos como o marketing das indústrias alimentícias.


O ambiente atual em que a população está inserida é considerado obesogênico, pois induz à adoção de comportamentos alimentares e de práticas de atividades inadequadas classificados como os principais fatores no desenvolvimento da obesidade. Um dos motivos apontados por pesquisadores para o ambiente ser considerado obesogênico é a grande concentração de fast foods e redes de restaurantes nos centros urbanos. Além disso, no campo científico, criou-se o termo “deserto alimentar”, que caracteriza áreas com baixa ou nenhuma disponibilidade de comércio com opções de alimentos saudáveis. Estudos afirmam que o padrão de consumo alimentar varia de acordo com a área em que as pessoas residem. Morar em uma zona urbana com baixa disponibilidade de comércio de alimentos é visto como fator de risco para a manutenção da dieta considerada adequada.


Entretanto, apenas a restrição de opções para alimentação fora do lar aparentemente não resolve o problema do aumento no número de pessoas com excesso de peso. O maior acesso a locais para prática de atividades físicas, sejam academias ou parques, aparece como um fator que merece atenção das autoridades, que buscam reduzir a epidemia da obesidade. É importante lembrar que o ambiente que cerca o indivíduo não é constituído somente por esses aspectos físicos (como fast foods e academias), a mídia é responsável por influenciar grande parte das escolhas da população. Indústrias alimentícias investem grandes quantias em estudo de mercado e propagandas a fim de garantir o alto consumo pela população, assim, reforçando ainda mais a ideia de ambiente obesogênico, visto que a maioria das propagandas se referem à produtos com alta densidade calórica e baixa densidade nutricional.


Estudos recentes apontam a classificação de “overfat” para 76% da população mundial, parcela caracterizada pelos indivíduos que possuem um percentual de gordura corporal superior ao considerado saudável pelos padrões mundiais e associado ao risco para síndrome metabólica. Nesse cenário, uma quantidade considerável de pessoas consideradas eutróficas pelos valores calculados de Índice de Massa Corporal (IMC) possui um percentual de gordura acima do saudável. Altos níveis de gordura corporal estão associados a um quadro de inflamação crônica, o que leva a uma série de doenças ligadas à obesidade, como diabetes tipo 2, doenças coronarianas, câncer e Alzheimer.

Os pesquisadores afirmam, com base em dados epidemiológicos, que o investimento em políticas públicas que visem reduzir os fatores de risco para obesidade deve ser atrelado à adoção de novos meios de identificar os indivíduos com risco para desenvolver problemas associados ao excesso de gordura corporal.


REFERÊNCIAS



BENTO, D. F. M. C. R. A Importância do Ambiente Obesogênico na População de Alta Vulnerabilidade Social em Campinas/SP. 2017. 158 f. Tese (Doutorado) - Curso de Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2017.


CDC. Centers for Disease Control and Prevention. Food Deserts. Atlanta: Center for Disease Control and Prevention, 2010. Disponível em: <https://www.cdc.gov/features/fooddeserts/index.html>. Acesso em 02/2018.


CLARK, J. Diet, exercise or diet with exercise: comparing the effectiveness of treatment options for weight-loss and changes in fitness for adults (18–65 years old) who are overfat, or obese; systematic review and meta-analysis. Journal of Diabetes & Metabolic Disorders, v. 14, n. 1, p.3-28, 17 abr. 2015.


DURAN, A.C.; JAIME, P. Determinantes Ambientais da Alimentação em Saúde Coletiva: Avaliação e Aplicações. In: CARDOSO, M.A. Nutrição em Saúde Coletiva. São Paulo: Atheneu, 2014. cap.3, p.31-37.


MAFFETONE, P. B.; RIVERA-DOMINGUEZ, I; LAURSEN, P. B. Overfat and Underfat: New Terms and Definitions Long Overdue. Frontiers In Public Health, [s.l.], v. 4, n. 279, p.1-10, 3 jan. 2017.

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