Qualidade ou quantidade? O que é mais eficaz na perda de peso?

May 8, 2018

 

Por muito tempo, quando se falava em estratégias alimentares para perda de peso, a primeira ideia a surgir era de que, para emagrecer, deveria ser reduzido o consumo calórico diário. Com base nesse conceito, surgiram diversas dietas com o foco na restrição de calorias, como a Dieta da Longevidade e Dieta dos Pontos.

 

O grande problema associado a esse tipo de estratégia é que o foco da dieta está nas calorias ingeridas, e não na qualidade do alimento e em como será sua metabolização no organismo. O aumento compensatório da fome (e do apetite em geral) em resposta a dietas com restrição de energia, é uma das principais causas da alta taxa de falha nas tentativas de perda de peso e a incapacidade de indivíduos em manter o peso alcançado.

 

Um estudo recentemente publicado pelo The Jama Network comparou a eficácia de uma dieta pobre em gorduras com uma pobre em carboidratos (maior valor calórico) com o intuito de perda de peso. Para a intervenção da dieta, foram inclusos 609 adultos entre 18 e 50 anos sem alterações metabólicas, com Índice de Massa Corporal (IMC) entre 28 e 40kg/m². Os participantes foram randomizados para a dieta em um período de 12 meses. O estudo também avaliou a expressão gênica e a associação de polimorfismos. A pesquisa concluiu que não houve diferença considerável entra as duas estratégias, e o resultado foi publicado posteriormente no The New York Times, assim, asseverando que a chave para a perda de peso é a qualidade, e não a quantidade, dos alimentos ingeridos.

 

É preciso salientar que estudos já comprovaram que restrições calóricas severas, com consequente ingestão insuficiente de proteínas, ácidos graxos essenciais e micronutrientes, resultam em baixa estatura, diminuição da fertilidade, alteração na função imunológica e perda de massa muscular e óssea.

 

Embora a restrição calórica não seja a estratégia indicada para redução de peso, deve-se enfatizar que os estudos realizados defendendo o consumo de alimentos sem contagem de calorias foram realizados utilizando as bases de uma dieta considerada “saudável”, ou seja, isentas de açúcar, farinha refinada, embutidos, frituras e alimentos ultraprocessados, o que aumentou o consumo de alimentos naturais e ricos em fibras. É importante ressaltar que a restrição não é necessária, porém o consumo exagerado de qualquer tipo de alimento acarreta em prejuízos para a saúde.


REFERÊNCIAS

COLLIER, R. Intermittent fasting: the next big weight loss fad. Canadian Medical Association Journal, [s.l.], v. 185, n. 8, p.321-322, 25 mar. 2013.


CHANGLAN, L; LONGO, V. Dietary restriction with and without caloric restriction for healthy aging. Journal List, jan. 2016. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4755412/>. Acesso em: 16 mar. 2018.

 

GARDNER, C. D. et al. Effect of Low-Fat vs Low-Carbohydrate Diet on 12-Month Weight Loss in Overweight Adults and the Association With Genotype Pattern or Insulin Secretion. Jama, [s.l.], v. 319, n. 7, p.667-680, 20 fev. 2018. 

 

WEIGLE, D.  S. et al. A high-protein diet induces sustained reductions in appetite, ad libitum caloric intake, and body weight despite compensatory changes in diurnal plasma leptin and ghrelin concentrations. The American Journal Of Clinical Nutrition, [s.l.], v. 82, n. 1, p.41-48, 1 jul. 2005. 

 

NY TIMES. The Key to Weight Loss Is Diet Quality, Not Quantity, a New Study Finds. 2017. Disponível em: <https://www.nytimes.com/2018/02/20/well/eat/counting-calories-weight-loss-diet-dieting-low-carb-low-fat.html>. Acesso em: 18 mar. 2018.
 

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