Permeabilidade intestinal x Doenças Autoimunes


A ocorrência das doenças autoimunes vem crescendo de forma alarmante em todo o mundo. O National Institutes of Health (NIH) estima que 23,5 milhões de americanos apresentam algum tipo, como, por exemplo artrite reumatoide, doença de Crohn ou lúpus eritematoso. A predisposição genética, os fatores ambientais e a disbiose intestinal são os principais fatores associados ao desenvolvimento desse tipo de patologia. A autoimunidade desenvolve-se ao longo do tempo e pode ser detectada na forma de autoanticorpos circulantes na corrente sanguínea.


Já é comprovado e está cada vez mais claro que a saúde intestinal interfere diretamente no gatilho para o desenvolvimento de doenças em geral, especialmente, as autoimunes. Em condições patológicas, a permeabilidade do revestimento do epitélio intestinal pode ficar comprometida, permitindo a passagem de toxinas, antígenos e bactérias do lúmen para a corrente sanguínea, assim, criando o chamado "intestino com vazamento" ou leaky gut. Em indivíduos com predisposição genética, um intestino com alta permeabilidade permite a ativação de processos inflamatórios e produção de moduladores do sistema imune, o que gera um automecanismo de defesa capaz de exacerbar todas as reações imunológicas.


O contato de toxinas e outros xenobióticos (principalmente advindos da alimentação) gera um gatilho para a liberação de uma proteína chamada zonulina. Ela é capaz de modular as junções intercelulares, interferindo na permeabilidade intestinal. A zonulina, também, é o único modulador fisiológico das tight junctions, sendo que, quando sua via está desregulada em indivíduos geneticamente suscetíveis, pode ocorrer ativação dos transtornos autoimunes.


O desequilíbrio da zonulina pode estar envolvido na patogênese da doença celíaca, uma vez que estudos comprovam que a gliadina é um dos potentes fatores para provocar a liberação da zonulina, levando, inclusive, à predisposição de outras doenças, tais como diabetes e doenças autoimunes articulares. Qualquer estímulo que altere a permeabilidade da barreira intestinal, seja pela via zonulina ou não, pode provocar um estado crônico de inflamação sistêmica, com a liberação de citocinas e outros mediadores inflamatórios e, ainda, contribuir para a passagem de proteínas para a corrente sanguínea, levando à produção excessiva de anticorpos que ativam a autoimunidade.

REFERÊNCIAS

BISCHOFF, S. et al. Intestinal permeability – a new target for disease prevention and therapy. BMC Gastroenterol., v. 14, n. 189, p. 1-25, 2014.


CAMPBELL, A. Autoimmunity and the Gut. Autoimmune Dis., v 2014, 2014. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4036413/>. Acesso em: 16 mar. 2018.


KELLY, J. et al. Breaking down the barriers: the gut microbiome, intestinal permeability and stress-related psychiatric disorders, Front Cell Neurosci., v. 9, n. 392, p. 1-20, 2015.


QINGHUI, M. et al. Leaky Gut As a Danger Signal for Autoimmune Diseases. Front Immunol., v. 8, n. 598, p. 1-10, 2017.


QUIGLEY, E. Leaky gut - concept or clinical entity? Curr Opin Gastroenterol. v. 32, n. 2, p. 74-9, mar. 2016.

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