Nutrigenômica e compostos bioativos na prevenção do câncer

August 21, 2018

 

O câncer é definido como uma doença provocada por alterações genéticas, dessa forma, favorecendo a perda das funções celulares e o crescimento desordenado das células. Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) (2013), os órgãos mais acometidos são pulmão, mama, intestino e próstata.

 

A nutrição pode auxiliar tanto no tratamento quanto na prevenção do câncer mediante a ingestão de compostos bioativos. Tais componentes, como curcumina, resveratrol, catequinas e fitoesteróis, além de vitaminas e minerais, como o selênio e as fibras dietéticas, podem atuar ‒ de forma sinérgica com outros nutrientes ‒ modulando o genoma e na prevenção de doenças. Tais interações são estudadas pela nutrigenômica.

 

A nutrigenômica é uma área recente da nutrição que visa compreender a influência dos nutrientes sobre o genoma, com a finalidade de estabelecer dietas personalizadas considerando as características genéticas individuais para a prevenção das doenças crônicas, inclusive, do câncer. Essa ciência se baseia na interação gene-nutriente, de forma que nutrientes e compostos bioativos modulem a expressão de genes, para que, por sua vez, alterem a síntese de proteínas importantes às vias metabólicas específicas.

 

Estudos recentes na área relatam que cascatas de sinalização desreguladas em diferentes tipos de câncer podem ser afetadas pelo consumo de nutrientes. Diversos tipos de fitoquímicos, alimentos e compostos bioativos foram identificados com atividades quimiopreventivas, como os brócolis, da família das crucíferas, responsáveis por potencializar a ação da enzima glutianona S-transferase, inibindo o processo de ativação de carcinógenos em indivíduos com polimorfismos em genes que codificam essa enzima. Já as catequinas, presentes no chá-verde ou no chá-preto, auxiliam na prevenção de neoplasias malignas, protegendo contra o dano causado pelos radicais livres no DNA das células, além de induzir apoptose das células tumorais.

 

A nutrigenômica pode, em um futuro próximo, ser um importante aliado no diagnóstico para detecção das doenças crônicas, uma vez que os nutrientes alteram processos moleculares importantes de forma individual. Assim, a nutrição personalizada pode se tornar um componente-chave para a prevenção e compreensão de doenças cada vez mais recorrentes na sociedade, como o câncer.

 

Referências:

 

CONTI, A., et al. Nutrigenônica: revolução genômica na nutrição. Ciência e Cultura, v. 62, n. 2, p.04-05. 2010.

 

FERLAY, J. et al. Cancer incidence and mortality patterns in Europe: estimates for 40 countries in 2012. European Journal of Cancer, v. 49, n. 6, p.1374-1403, fev. 2013.

 

FIALHO, E. et al. Nutrição no pós-genoma: fundamentos e aplicações de ferramentas ômicas. Revista de Nutrição, v. 21, n. 6, p.757-766, nov-dez. 2008.

 

LIMA, J. et al. Nutrigenômica do câncer de mama: fatores dietéticos e a expressão gênica: uma revisão sistemática. Revista Interdisciplinar Ciências e Saúde, v. 4, n. 2, p. 135-142. 2017.

 

TESSARIN, M. C. F.; SILVA, M. A. M. Nutrigenômica e Câncer: Uma revisão. Cadernos UniFOA, v. 8, n.1, p. 79-96, mai. 2017.

 

VIEIRAS, J.A.T. et al. A nutrigenômica na prevenção e combate às células neoplásicas. Revista Fofibe On-Line, v. 8, n. 1, p.140-153. 2015.

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