A importância do ômega-3 para o desenvolvimento cognitivo infantil


O ômega-3 é um ácido graxo poli-insaturado (PUFA) com diversas ações importantes para o organismo. Seus principais constituintes são os ácidos eicosapentaenoico (EPA), docosa-hexaenoico (DHA) e alfalinolênico (ALA), sendo esse último o único ácido graxo essencial, pois não é sintetizado pelo organismo.


O ácido alfalinolênico é também o precursor das prostaglandinas, dos leucotrienos e dos tromboxanos, mediadores com atividade anti-inflamatória, anticoagulante e vasodilatadora. Esses ácidos graxos são importantes para os recém-nascidos, pois constituem aproximadamente um terço da estrutura dos lipídeos das membranas cerebrais, e sua carência pode provocar redução da produção de enzimas relacionadas ao aprendizado. Especificamente, a ingestão adequada de DHA, altamente presente no leite materno, é fundamental para o desenvolvimento da retina, do sistema imune e da neurocognição em bebês.


A adequação da ingestão de ômega-3 continua sendo importante após o nascimento, tanto para a mãe quanto para a criança, uma vez que esse lipídio exerce efeitos protetores para a saúde cardiovascular. Estudos assinalam que níveis plasmáticos elevados de DHA no leite materno estão diretamente relacionados ao melhor crescimento e desenvolvimento do cérebro e do sistema visual em recém-nascidos. Fórmulas infantis que fornecem um mínimo de 0,35% de DHA também favorecem o desenvolvimento cerebral, avaliado através do Índice de Desenvolvimento Mental, reforçando a importância da suplementação desse nutriente.


Em estudo realizado por Tanaka et al. (2009), com a finalidade de avaliar a concentração de DHA na membrana dos eritrócitos e, posteriormente, a atividade cognitiva dessas crianças aos 5 anos de idade, prematuros de quatro semanas (n=18) foram divididos em grupos que receberam leite materno, fórmula infantil ou que foram alimentados com ambos os tipos. Pelos resultados, os autores observaram que a concentração de DHA foi significativamente maior em prematuros alimentados com leite materno em comparação aos bebês que receberam fórmulas infantis. Quanto aos testes cognitivos, as crianças amamentadas ao nascer obtiveram também melhor performance. Assim, pôde-se concluir que o aleitamento materno ao nascer aumentou a concentração de DHA na membrana de eritrócitos, e isso pode estar diretamente relacionado a um melhor desenvolvimento cognitivo em crianças na fase pré-escolar.


Portanto, o ômega-3 possui um papel essencial no crescimento e no desenvolvimento infantil e a ingestão adequada desse ácido graxo deve ser garantida durante a gestação, lactação e na infância a partir da alimentação e/ou via suplementação, com indicação feita por profissional especializado.


Referências


GONZÁLEZ, F.E.; BÁEZ, R.V. In Time: importância dos ômega-3 na nutrição infantil. Revista Paulista de Pediatria, v.35, n.1, p.03-04, jan. 2017.


MORAES, F.P.; COLLA, L.M. Alimentos funcionais e nutracêuticos: definições, legislação e benefícios à saúde. Revista eletrônica de farmácia, v.3, n.2, p.109-122.2006.


TANAKA, K. et al. Does breastfeeding in the neonatal period influence the cognitive function of very-low-birth-weight infants at 5 years of age? Brain and Development, v.31, n.4, p.288-293, apr.2009.


WINWOOD, R. DHA para a saúde da infância à terceira idade. Food Ingredientes Brasil, n. 26. 2013.

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