Obesidade infantojuvenil: causas e consequências



Nos últimos anos, o aumento no número de crianças e adolescentes acima do peso tem apontado, cada vez mais, para a necessidade em compreender as causas e as consequências desse fenômeno mundial que se tornou um problema de Saúde Pública em menos de uma geração.


Em países industrializados como os Estados Unidos, o peso médio de uma criança aumentou mais de 5kg em cerca de três décadas, fato este que contribuiu para que um terço da população infantil do país, atualmente, esteja obesa ou com sobrepeso. Embora países de baixa e média renda estejam enfrentando um aumento no número de crianças e adolescentes acima do peso, casos de subnutrição ainda são bastante comuns. A coexistência de indivíduos com sobrepeso, obesidade e desnutrição constitui um fenômeno denominado paradoxo nutricional e reflete as imensas desigualdades sociais nessas regiões.


A literatura tem mostrado que tanto o sobrepeso quanto a obesidade infantil estão diretamente implicados na ocorrência de danos fisiológicos como a elevação da pressão arterial, o descontrole do balanço glicêmico e o surgimento de doenças crônicas como diabetes e doenças cardiovasculares, além de efeitos psicológicos que podem perdurar ao longo de toda a vida do indivíduo. De acordo com Pereira (2009), os impactos da obesidade e suas comorbidades podem refletir, pela primeira vez, em uma geração de crianças com expectativa de vida menor do que a de seus pais.


A Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou que, no ano de 2012, 44 milhões (6,7%) de crianças menores de cinco anos apresentavam sobrepeso ou obesidade, em contrapartida a aproximadamente 5% na década de 1990. Muitos aspectos estão envolvidos na criação de um ambiente obesogênico, isto é, aquele responsável por incentivar o ganho de peso. Entre eles, cita-se o sedentarismo, a adoção de hábitos alimentares inadequados, o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, questões genéticas, metabólicas e familiares. Além disso, estratégias adotadas pela indústria de alimentos para influenciar crianças e adolescentes a consumirem alimentos de alta densidade calórica e pobre em nutrientes, como salgadinhos de pacote, biscoitos recheados e comida congelada, contribuem para esse cenário tornar-se ainda mais agravante.


A abordagem no combate à obesidade infantil possui caráter multidisciplinar. No âmbito da nutrição, em vista de comportamentos, preferências e hábitos alimentares estabelecerem-se antes dos dois anos de vida, é essencial que cuidados com a alimentação sejam adotados precocemente de modo a garantir um ambiente mais saudável para o desenvolvimento infantojuvenil.


Referências:


CHUNG, A. et al. Trends in child and adolescent obesity prevalence according to socioeconomic position: protocol for a systematic review. Systematic reviews, v. 3, n. 1, mai. 2014.


DANIELS, L.A. et al. Child eating behavior outcomes of an early feeding intervention to reduce risk indicators for child obesity: the NOURISH RCT. Obesity, v. 22, n. 5, p. 104-111, mai. 2014.


LOBSTEIN, T. et al. Child and adolescent obesity: part of a bigger picture. The Lancet, v. 385, n. 9986, p. 2510-20, jun. 2015.


OGDEN, C.L. et al. Trends in obesity prevalence among children and adolescents in the United States, 1988-1994 through 2013-2014. Jama, v. 315, n. 21, p. 2292-99, jun. 2016.


PEREIRA A. et al. A obesidade e sua associação com os demais fatores de risco cardiovascular em escolares de Itapetininga, Brasil. Arq Bras Cardiol, v. 93, n. 3, p. 253-260. 2009.


WHO. World health statistics 2014. Part II. Geneva: World Health Organization; 2014. Disponível em: http://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/112738/9789240692671_eng.pdf;jsessionid=312F73AD6CA3EAFF076BEF2193948570?sequence=1. Acesso em 10 jul 2018.

Tags:

Featured Posts
Posts em breve
Fique ligado...
Recent Posts
Posts em breve
Fique ligado...

© Copyright 2017. Equaliv

  • Facebook - White Circle
  • Instagram - White Circle