Conheça as Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs)



As plantas são utilizadas na alimentação há muitos séculos e são conhecidas por suas propriedades nutracêuticas, desse modo, oferecendo boa dose de fitoquímicos, compostos bioativos e antioxidantes. Apesar de o Brasil possuir uma enorme diversidade de vegetais e plantas comestíveis, poucos acabam sendo explorados na alimentação. Este é o caso das Plantas Alimentícias Não Convencionais ou PANCs.


As PANCs são alimentos que se desenvolvem de forma espontânea, não necessitando de áreas específicas para plantio e cultivo nem do uso de agrotóxicos. Frequentemente, denominadas ervas daninhas, as PANCs têm suas características nutricionais e econômicas pouco investigadas, embora a maioria apresente grande potencial genético para uso imediato ou futuro em programas de melhoramento genético e manejo sustentável.


Alguns exemplos de Plantas Comestíveis Não Convencionais incluem a beldroega (Portulaca oleracea), a serralhinha ou pincel de estudante (Emilia spp.) e a trapoeraba ou marianinha (Commelina benghalensis). A beldroega é uma planta cujos ramos, folhas, flores e sementes podem ser consumidos. É rica em vitamina C, betacaroteno, ômega-3, além de propriedades anti-inflamatórias e diuréticas. A serralhinha, por sua vez, é bastante utilizada na região Nordeste do Brasil para tratar febres, diarreias, cólicas e inflamações oculares.


Exemplos mais populares de PANCs abrangem a ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata), o trevo (Trifolium repens) e a azedinha vermelha (Rumex acetosa L.), utilizadas em diversas preparações culinárias, conferindo sabor e cor aos pratos. A ora-pro-nóbis tem folhas gostosas e nutritivas, ricas em proteínas e com alto valor nutricional. O trevo, apesar de ser considerado uma erva daninha, tem talos e folhas comestíveis, porém deve ser consumido com moderação por ser fonte de ácido oxálico. A azedinha-vermelha pode ser usada em saladas e sopas frias, deixando as preparações mais refrescantes. Assim, apesar de pouco difundidas, as PANCs são utilizadas em diversas regiões do país para consumo in natura e em preparações culinárias, com isso, reforçando a alimentação e servindo de base para a soberania financeira de muitas famílias agricultoras.


Se exploradas de forma responsável, as PANCs podem ajudar a complementar a dieta de muitas famílias, oferecendo densidade nutricional e aporte de nutrientes, além de estimular a agricultura familiar de pequenos produtores e o uso sustentável da terra.



Referências:


BARREIRA, T.F. et al. Diversidade e equitabilidade de plantas alimentícias não convencionais na zona rural de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Rev Bras Pl Med, v. 17, n. 4, p. 964-74. 2016.


BEZERRA, A.S. et al. Composição nutricional e atividade antioxidante de plantas alimentícias não convencionais da região sul do Brasil. Arquivos Brasileiros de Alimentação, v. 2, n. 3, p. 182-188.2017.

KINUPP, V.F. Plantas alimentícias não-convencionais (PANCs): uma riqueza negligenciada. Reunião Anual da SBPC, 61a, p. 4, jul.2009.


ROCHA, Carlos Neto. A importância da inserção de plantas alimentícias não convencionais. Panc’s na alimentação humana. 2017. 6fls. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Medicina e Ciências da Saúde) – Universidade Católica de Brasília, Brasília - Distrito Federal, 2017.


SILVA, C.L. et al. Experiência de implantação de uma unidade de plantas alimentícias não convencionais na secretaria de agricultura e meio ambiente do município de cruz das almas, Bahia. Encontro Regional de Agroecologia do Nordeste, v. 1, n. 1. 2018.


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