Consumo de fibras alimentares na prevenção de doenças metabólicas e intestinais

November 20, 2018

 

A fibra alimentar ou dietética é constituída por polímeros de carboidratos e lignina, resistente à ação das enzimas digestivas humanas. Seus componentes dividem-se em polissacarídeos não amido, oligossacarídeos, carboidratos análogos, lignina, compostos associados à fibra alimentar e fibras de origem animal.

 

As fibras são classificadas em solúveis – de consistência viscosa e facilmente fermentáveis no cólon, como a pectina –, e insolúveis – que possuem fermentação limitada no cólon e aumentam o bolo fecal, como o farelo de trigo. Parte da fermentação dos componentes da fibra ocorre no intestino grosso, alterando o trânsito intestinal e modificando o pH do cólon. Normalmente, os alimentos que contêm fibras são constituídos por um terço de fibras solúveis e dois terços de fibras insolúveis.

 

O consumo de fibras alimentares desempenha papel importante na prevenção e na redução de doenças metabólicas como diabetes, obesidade e doenças cardiovasculares graças aos efeitos hipocolesterolêmico e hipoglicemiante. Além disso, contribui para queixas relacionadas à constipação intestinal e na prevenção do câncer colorretal, uma vez que elas diminuem o contato das fezes com a mucosa intestinal e promovem seu desenvolvimento saudável.

 

A constipação intestinal é uma queixa muito comum e ocorre quando há dificuldade ao evacuar em, no mínimo, 25% das vezes, com fezes ressecadas ou muito duras; ou quando há sensação de evacuação incompleta, bloqueio ou obstrução anorretal e uso de manobras manuais em, pelo menos, 25% das vezes, além de menos de três evacuação por semana. Sabe-se que os quadros de constipação são mais recorrentes quando associados ao consumo de alimentos industrializados e refinados e pobres em fibras. Nesses casos, como primeira recomendação, especialistas indicam aumentar o consumo de fibras alimentares por meio da alimentação e/ou do uso de suplementos comerciais.

 

Em relação ao câncer colorretal, a literatura tem mostrado que o consumo diário de 13g de fibras resulta na diminuição em 31% nas chances de desenvolver câncer de intestino. Muitos dos distúrbios intestinais têm seu diagnóstico associado à disbiose intestinal, caracterizada pela prevalência de bactérias nocivas na mucosa em detrimento daquelas benéficas. Assim, indivíduos com disbiose intestinal estão mais suscetíveis ao risco de doenças do trato digestivo, uma vez que nutrientes deixam de ser digeridos apropriadamente e a associação de toxinas e proteínas contribui na formação de peptídeos nocivos à saúde do intestino.

 

Portanto, adotar uma alimentação equilibrada e rica em fibras alimentares agrega mais qualidade de vida ao paciente, além de contribuir para a prevenção de doenças metabólicas e crônicas intestinais, para a redução da disbiose intestinal e no crescimento da microbiota saudável.

 

Referências:

 

BERNAUD, F.S.R. et al. Fibra alimentar: ingestão adequada e efeitos sobre a saúde do metabolismo. Arquivos Brasileiros De Endocrinologia & Metabologia, v. 57, n. 6, p. 397-405, ago. 2013.

 

CRUZ, F.R.N. Constipação Intestinal: Abordagem Medicamentosa e não Medicamentosa. International Journal of Nutrology, v. 7, n. 1, p. 15-20, jan. 2014.

 

MACEDO, T.M.B. et al. Fibra alimentar como mecanismo preventivo de doenças crônicas e distúrbios metabólicos. Revista UNI, v. 2, n. 2, p. 67-77, jan. 2012. 

 

OLIVEIRA, C.R. et al. O potencial funcional da biomassa de banana verde (Musa spp.) na simbiose intestinal. Revista Ciência e Sociedade, v. 1, n. 1, jan. 2016.

 

SILVA, C.F.R. et al. Consumo de fibras e câncer de intestino: revisão da literatura. Congresso de Pesquisa e Extensão da Faculdade da Serra Gaúcha, v. 5, n. 5, p. 40-2. 2017.

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