Alimentação complementar e o método BLW: desmame conduzido pelo bebê

November 27, 2018

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que as crianças recebam o aleitamento materno durante os seis primeiros meses de vida, em caráter exclusivo e com livre demanda. A partir dois seis meses de idade, recomenda-se introduzir a alimentação complementar com o aleitamento materno, prática esta que resultará em diversos benefícios à saúde das crianças.

 

Por alimentação complementar entende-se o conjunto de alimentos oferecidos concomitantemente ao período de amamentação. É durante a alimentação complementar que as crianças terão o primeiro contato com os sabores e as texturas dos alimentos, bem como farão suas primeiras escolhas alimentares. Assim, priorizar a oferta de alimentos in natura consiste em uma estratégia para formar um paladar mais natural e que perdurará ao longo da vida.

 

De acordo com a literatura, há diversas técnicas para a introdução da alimentação e o início do desmame. Recentemente, surgiu um método britânico denominado Baby-Led Weaning (BLW), que consiste na introdução da alimentação complementar conduzida pelo próprio bebê. O BLW preconiza que a criança leve os alimentos à boca com as mãos, em detrimento de ser alimentada por um adulto com o auxílio de talheres, fazendo com que a criança assuma o controle sobre suas próprias refeições desde o início da alimentação complementar.

 

O BLW permite, ainda, que a criança descubra novos alimentos, com isso, instigando a exploração, a experimentação e a imitação. Os pais disponibilizam uma diversidade de alimentos, porém a criança decide o que comer e o quanto comer, além do tempo da refeição. Esse método, que explora mais a curiosidade, e não propriamente a fome do bebê, estimula a introdução de alimentos sólidos mais facilmente na vida da criança. Segundo Rapley e Murkett (2008), essa filosofia alimentar permite que o bebê explore as diferentes facetas do alimento, o aprendizado das funções orais (morder, mastigar e engolir) e do reflexo do engasgo, a independência no uso dos talheres, bem como ampliar as possibilidades de experimentar novos alimentos.

 

Em revisão de Arantes et al. (2018), os autores observaram que crianças adeptas ao método BLW, quando comparadas a bebês alimentados sob o método tradicional, apresentaram menor propensão ao excesso de peso, melhor autorregulação da saciedade, menor exigência ao fazer as refeições, além de comerem os mesmos alimentos que a família. Embora preocupações com a bagunça, o desperdício e a ocorrência de engasgos tenham sido relatadas pelas mães avaliadas no estudo, a opinião se mostrou positiva quanto ao BLW.

 

Portanto, a alimentação complementar consiste em uma fase importante para a formação do paladar infantil e de hábitos alimentares saudáveis. O método BLW pode auxiliar para que esta fase de descoberta e exploração da comida seja mais natural e prazerosa para a criança.

 

Referências:

 

ARANTES, A.L.A. et al. Método Baby-Led Weaning (BLW) no contexto da alimentação complementar: uma revisão. Revista Paulista de Pediatria, São Paulo, 2018.

 

ARAÚJO, A.D.I.R. Determinantes do aleitamento materno e alimentação complementar em crianças menores de dois anos. 2018. 66fls. Dissertação (Pós-graduação em

Saúde e Comunidade) - Centro de Ciências da Saúde, Teresina, Piauí, 2018.

 

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Estratégia Nacional para Promoção do Aleitamento Materno e Alimentação Complementar Saudável no Sistema Único de Saúde: manual de implementação. Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2015.

 

RAPLEY, G.; MURKETT, T. Baby-Led Weaning: helping your child love good food. London, UK: Vermilion, 2008.

 

SILVA, C.O.B. A percepção dos pais sobre a importância da introdução da alimentação na fala. 2017. 109fls. Dissertação (Pós-graduação em Terapêutica da Fala, ramo Linguagem na Criança) - Faculdade Ciências da Saúde, Porto, Portugal, 2017.

 

SOMBRA, P.V. et al. Alimentação complementar e ingestão de alimentos industrializados em crianças menores de três anos. Saúde e Desenvolvimento Humano, v. 5, n. 3, p. 45-51, out. 2017.

 

WORLD HEALTH ORGANIZATION. The optimal duration of exclusive breastfeeding. Geneva, Switzerland:  Report of an Expert Consultation, March 2001.

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