Doenças inflamatórias intestinais: conheça a doença de Crohn.

December 12, 2018

 

As doenças inflamatórias intestinais (DIIs) abrangem duas patologias: a retocolite ulcerativa e a doença de Crohn. Essa última se caracteriza por uma inflamação crônica da mucosa do intestino, assim, afetando mais intensamente as regiões do intestino delgado e grosso.

 

A doença de Crohn pode acometer somente a região do intestino ou órgãos adjacentes e sua característica principal é a segmentação com regiões entrepostas, isto é, partes do intestino encontram-se saudáveis e separam segmentos inflamados. Apesar de mais frequente em jovens adultos do sexo feminino, a doença pode afetar pessoas de diversas idades, sexos e etnias.

 

Os principais sintomas incluem dor no abdômen e diarreias sanguinolentas, embora anemia, cansaço, perda de peso e de apetite, sangramento retal e alterações gastrintestinais também possam ocorrer. Manifestações extraintestinais também são comuns e incluem artrite, uveíte, eritema, complicações sistêmicas que envolvem doença hepática e coletíase, na vesícula biliar e pâncreas.

 

Aspectos genéticos em indivíduos predispostos, bem como antígenos provenientes da microbiota e da dieta poderiam ocasionar uma resposta exacerbada do sistema imune, ativando a cascata imunoinflamatória que induziria a uma lesão contínua e resposta imune anormal da mucosa intestinal. Calcula-se que 50% dos casos acometam o íleo e o ceco, 20% envolvam o cólon, 15% a região anorretal e eventualmente o duodeno e o estômago. Aspectos como alimentação, tabagismo, uso prolongado de anti-inflamatórios não esteroides, infecções intestinais e uso de contraceptivos orais são fatores que contribuem para o aumento do risco.

 

O tratamento da doença de Crohn envolve procedimentos clínicos e o uso de fármacos, além da terapia nutricional, que exerce papel fundamental na melhora do indivíduo. Bastante comuns, deficiências nutricionais ocorrem em razão da diminuição do apetite e ingesta alimentar, da má absorção de nutrientes e do efeito dos medicamentos. O acompanhamento com nutricionista é fundamental para uma alimentação equilibrada e saudável, assim, contribuindo para a remissão da doença.

 

Nesse contexto, é importante que o indivíduo se atente a alimentos que agravam os sintomas, procurando alternativas. De acordo com a literatura, abordagens nutricionais envolvendo o uso de ácidos graxos ricos em ômega-3, como o óleo de peixe, têm apresentado resultados positivos aos pacientes com grau leve da doença. Importante ressaltar que os pacientes podem necessitar da reposição de zinco, magnésio e vitamina B12 em função da má absorção persistente e da diarreia prolongada. Já o uso de probióticos tem contribuído para o aumento do tempo de remissão, na redução de sintomas e na melhora da imunidade dos pacientes, embora ainda não haja um consenso quanto à recomendação de cepas probióticas no manejo da doença.

 

Assim, a doença de Crohn pertence a uma subcategoria das DIIs, com etiologia e tratamento multifatoriais. Seguir as recomendações médicas e adotar alimentação equilibrada e saudável contribui para a minimização dos sintomas e o aumento do tempo de remissão.

 

Referências:

 

PAPACOSTA, N.G. et al. Doença de Crohn. Revista de Patologia do Tocantins, v. 4, n. 2, p. 25-35, jun. 2017.

 

REVOREDO, C.M.S. et al. Doença de Crohn e probióticos: uma revisão. Revista da Associação Brasileira de Nutrição, v. 8, n. 2, p. 67-73, jul. 2017.

 

RODRIGUES, S.C. et al. Aspectos nutricionais na doença de Crohn. Cadernos da Escola de Saúde, v. 1, n. 1, jul. 2008.

 

SANTOS, S.M.R. Doença de Crohn: etiopatogenia, aspetos clínicos, diagnóstico e tratamento. 2013. 91fls. Dissertação (Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas). Universidade Fernando Pessoa, Faculdade Ciências da Saúde, Porto, Portugal, 2013.

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